Por Dôra Paiva
Uma certa ocasião, na Grécia Antiga, o grande filósofo Sócrates externou para todos os seus seguidores, que a Raiva e o Ódio caminhavam juntos, e que ambos fazem parte da mesma moeda. Porém, é muito oportuno salientar, que embora sejam muito parecidas, cada uma apresenta a sua característica própria e as suas especificidades, que as tornam diferentes entre si. Elas são grandes individualidades que gravitam em nosso Universo pessoal. A Raiva é uma emoção, enquanto que o Ódio é um sentimento. E por ser um sentimento, o Ódio é mais profundo, que a própria Raiva. Os dois conceitos são diferentes, muito embora possam parecer à primeira vista, que são semelhantes. Algumas pessoas sentem Raiva, porém nem todas possuem a capacidade para desenvolver o Ódio.
A Raiva, quase sempre surge através dos atos, ações, palavras e gestos manifestados por pessoas que ferem o nosso Ego. Enquanto que o Ódio, que é um sentimento muito intenso, ele surge através de uma antipatia imensa, que nutrimos por alguém ou por alguma coisa. A Raiva é temporária, enquanto que o Ódio pode ser permanente. Ela é uma reação natural, a algo que nos traz dor. Ele é um sentimento persistente e voraz. Traz ressentimentos profundos e torna as pessoas hostis e adversas às coisas boas.
O Ódio pode virar Raiva? A Psicologia nos esclarece que o Ódio, não é simplesmente um sentimento, ele é um verdadeiro Mix psicológico, composto por três elementos que podem ser positivos ou negativos em relação a outrem. Esses elementos são: a negação da intimidade; a paixão; o empenho. Por ser muito intenso e complicado, ele sempre é ativado quando se é atacado em sua estrutura física ou psicológica. Ele desperta sentimentos mesquinhos e egoísticos. O Ódio nunca será gratuito, pois ele traz sempre uma alavanca impulsionadora.
Ao sentir os primeiros sintomas de formação dessa anomalia psicológica, deveremos nos colocar no lugar do outro e pensar como gostaríamos de sermos tratados, em determinados momentos. Daí ser absolutamente recomendado, aos primeiros sintomas, a imediata busca de ajuda, seja ela de pessoas que também vivenciaram esse processo ou através de uma Terapia psicológica.
Os seres humanos, possuem em si todas as qualidades de sentimentos e sensações, desde as mais nobres e sutis, até os mais execráveis e abomináveis. Esse Ódio se manifesta das diversas formas possíveis. E ainda temos aquelas pessoas que sofrem de Ódio crônico. E o que vem a ser esse tipo? Nele as pessoas dificilmente desfrutam de alegrias. Elas não conseguem entender a felicidade do outro. São sempre pessimistas e mau humorados.
O Ódio provoca uma série de problemas que podem levar alguém a desenvolver graves distúrbios de saúde, tais como: dores intensas pelo corpo inteiro; elevação da produção de adrenalina; aumentar a pressão arterial e culminar com a surgimento de um AVC.

Como controlar os sentimentos de Ódio e Raiva? O psicoterapeuta Fernando Vieira Filho, autor do livro “Cure suas mágoas e seja feliz”, nos diz ser impossível não senti-los, porém é possível controlá-los. De antemão sabemos que essa é uma tarefa árdua e de grande perseverança. O ideal seria não cultivá-los, pois ambos fazem parte da mesma face da moeda. Onde tem Ódio, existiu uma grande dose de Raiva; onde tem Raiva, haverá um desfecho com Ódio.
Portanto, respondendo a pergunta do título, feita por um(a) leitor(a), somos enfáticos em dizer, que o Ódio não vai virar Raiva, pois ele é a culminância dessa construção, quando não há uma rápida e precisa intervenção terapêutica, para a eliminação dos traços elucidativos.
A melhor técnica para a eliminação de ambos sentimentos, é executar a Terapia do Perdão, que é um ato misericordioso, que visa tirar das pessoas as mágoas, os ressentimentos e os desencantos. Através dela as pessoas vão aprender a conviver de maneira mais salutar e aprazível. É o famoso exercício de praticar a Empatia, que está tão em voga na mídia e muito pouco exercida e praticada pelas pessoas. Pense nisso carinhosamente. Namastê.
Imagens: www.essentia.med.br



Acredito que todo sentimento e emoção deve ser reconhecido como natural a condição humana, exatamente como foi colocado aqui. O importante mesmo é buscar o autoconhecimento para que, assim, seja possível reconhecer cada emoção e sentimento e então gerenciar da melhor maneira. A psicoterapia é realmente muito importante! Além disso é importante nos cercarmos de amor. Quando estamos cheios de amor, conseguimos olhar o outro e olhar a nós mesmos com respeito e empatia!