Por Paulo Roberto Reis
Instagram: @psipaulorobertoreis
O filme de animação Divertida Mente 2 traz uma história fascinante que nos permite visualizar alguns dos nossos processos psicológicos. Essa ideia produzida pela Pixar e dirigida por Kelsey Mann abre uma reflexão sobre como as emoções impactam a vida dos adolescentes – mas, também, a vida de todas as pessoas independentemente da idade. A obra fílmica educativa é uma continuação de Divertida Mente (2015), que conta o percurso da garota Riley, de 11 anos de idade, que precisa enfrentar diversas mudanças em sua vida, sobretudo o drama de se mudar para uma nova cidade, enquanto que suas emoções [num modelo antropomórfico] lutam para manter a harmonia em sua mente.
Nesse novo momento da vida da personagem Riley em São Francisco, na Califórnia (USA), a garota revela algumas características do rito de passagem da infância para a adolescência, como, por exemplo, a formação da sua identidade e a socialização com os pares. Há uma transformação na sala de controle – cérebro – de Riley quando chegam outras emoções: ansiedade, vergonha, inveja e tédio. Boa parte do enredo é narrado no acampamento de hóquei, que simboliza uma tribo social dos adolescentes, demarcando a puberdade. Essas permutações de Riley são situações semelhantes enfrentadas por todos nós. Cada emoção desempenha um papel na vida de cada indivíduo. A qualificação de boa ou ruim depende da dosagem, de como cada pessoa lida com as suas emoções.
Uma das emoções que mais se destacou foi a ansiedade. Atualmente, vivemos o dilema do elevado índice de pessoas com transtornos mentais relacionados a ansiedade. Essa emoção tem como principal função estimular a ação diante de possíveis perigos ou ameaças. Sem a ansiedade não conseguiríamos sobreviver nesse mundo extremamente dinâmico, onde somos superestimulações o tempo inteiro. No caso de Riley, a ansiedade, num determinado período, ajudou-lhe a evitar consequências prejudiciais para o seu futuro. A personagem sentiu medo de não conseguir construir amizades no ensino médio. Nesse momento, a ansiedade foi funcional, porque na adolescência é importante que o indivíduo tenha experiência de amizade. A socialização na puberdade está associada ao bem-estar – mas podemos aplicar essa máxima a outras faixas etárias da pessoa. Outra função da ansiedade é preparar a pessoas para novas experiências.
Assim sendo, a ansiedade em si não é um problema, mas pode se tornar problemática quando não somos capazes de lidar com ela de maneira proporcional ao estímulo que recebemos. Foi o que ocorreu com Riley. Num certo momento, a ansiedade tomou conta da sala de controle – do cérebro da garota. A protagonista começa a ficar agitada, e a ansiedade começa a criar vários cenários em relação ao seu futuro, se as coisas darão certas ou não. Ter preocupações faz parte da vida de qualquer pessoa. Contudo, o excesso pode transformar a ansiedade em Transtorno. O Transtorno de Ansiedade é diferente da emoção de ansiedade. O Transtorno pode causar diferentes reações biopsicossociais que prejudicam o indivíduo. Os sintomas podem ser de náuseas, taquicardia, sudorese excessivo, vertigem, dor de cabeça, sensação de sufocamento e tantos outros. Além de gerar disfunções em seu cotidiano laboral, educacional e relacional.
Outrossim ocorre, também, com as demais emoções, e não apenas com a ansiedade. Todas – sem exceção – desempenham algum tipo de função na nossa vida psíquica. Para termos uma vida saudável é importante que saibamos lidar com as nossas emoções. O primeiro passo é reconhecê-las, identificando-as e nomeando-as. Dê nome ao que você está sentindo. Busque fazer esse processo de reconhecimento. Ignorar as emoções pode desencadear transtornos e doenças. Depois, busque estratégias para administrar as suas emoções. Não existe uma fórmula pronta. No entanto, é possível pedir ajuda quando não se consegue realizar esse processo. Divertida Mente 2 faz um alerta para a sua saúde mental: aprenda a lidar com as suas emoções.
Reflexão autoral de Paulo Roberto Santos Reis Soares, mestrando em Estudos de Linguagens (UNEB), graduado em Psicologia e Teologia (UCSAL), pós-graduado em Gerontologia e Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC), e pós-graduando em Neuropsicologia. Atua como psicólogo clínico, com foco na saúde mental da pessoa idosa prestando atendimento online e presencial; psicólogo das organizações e do trabalho e palestrante.
IMAGEM: divulgação/pixar



