Por Elisangela Santos
Especialista em búzios e cartas @desvendando_os_segredos
Contato: (71) 9280-7802
Na tradição dos saberes ancestrais de matriz africana, cada elemento da natureza carrega uma função, uma energia e uma responsabilidade dentro do equilíbrio do mundo. Entre esses elementos, os animais ocupam papel fundamental como mensageiros, guardiões e símbolos vivos das forças dos orixás.
No caminho de Oxumarê, orixá do movimento, da continuidade e dos ciclos da vida, um animal se destaca de forma especial: a serpente.
Mais do que um simples animal, a serpente representa a própria essência de Oxumarê. Ela simboliza o fluxo contínuo da vida, o ciclo que nunca se encerra, o ir e vir das energias que sustentam o universo. Seu movimento sinuoso lembra o arco-íris — outro símbolo desse orixá — conectando céu e terra, matéria e espiritualidade.
Na mata, a serpente exerce um papel silencioso, porém essencial. Ela controla populações, mantém o equilíbrio ecológico e atua como um verdadeiro agente de ordem natural. Assim como Oxumarê, que organiza os ciclos da existência, a serpente mantém o equilíbrio da vida onde poucos enxergam.
Há um ensinamento profundo nisso: nem tudo que é temido é negativo. Muitas vezes, aquilo que causa receio carrega em si uma grande responsabilidade. A serpente não ataca sem motivo. Ela observa, sente, reage quando necessário — como a própria natureza.
No contexto espiritual, a presença da serpente no caminho de Oxumarê nos ensina sobre transformação. A troca de pele representa o renascimento, a capacidade de deixar para trás o que já não serve mais e seguir em evolução. É um convite à renovação constante.
Além disso, Oxumarê também rege a riqueza em movimento — não apenas material, mas energética. E a serpente, ao deslizar pela terra, nos lembra que tudo está em fluxo. Nada é fixo. Tudo se transforma.
Na mata, portanto, ela não é apenas um animal. É guardiã. É símbolo. É expressão viva de um princípio universal: o equilíbrio dinâmico.
Respeitar a serpente é respeitar a natureza.
Respeitar a natureza é compreender o sagrado.
E compreender o sagrado é entender que tudo tem seu lugar, seu tempo e sua função no grande ciclo da vida.
Fonte: Desenvolvida pela autora



