Por Teo Gilson
@teogelson
Poucos centímetros de altura, força descomunal e o bordão “Lá vai a triônica!” bastaram para transformar Formiga Atômica no super-herói preferido das manhãs de sábado a partir de 1965.
Criada pela dupla William Hanna e Joseph Barbera, a formiguinha mascarada voou alto primeiro na NBC dos Estados Unidos e, alguns anos depois, conquistou as telas brasileiras em sucessivas reprises que atravessam gerações até hoje.
Nascida em plena corrida espacial, a série misturava ficção científica, paródia de super-heróis e gags visuais típicas da Hanna-Barbera.
Cada segmento, de cerca de sete minutos, mostrava o inseto ajudando a polícia local, sempre atrapalhada, contra vilões que iam de pulgas mutantes a cientistas malucos. O roteiro brincava com a então popular série “Batman”, reforçando o clima de aventura satírica.
Formato, temporadas e a polêmica dos 52 “relâmpagos”
O desenho foi ao ar em duas temporadas (1965-1967) dentro de “The Atom Ant Show”, somando 26 meias-horas originais.
Cada meia-hora trazia dois capítulos, perfazendo 52 segmentos que, na década seguinte, passaram a circular isoladamente em pacotes de reprise, daí a contagem popular de “52 episódios”.
Quando o programa se fundiu com “Esquilo Sem-Grilo”, esses 52 segmentos foram vendidos em blocos independentes, reforçando a confusão numérica.
Elenco original e dublagem brasileira
Nos EUA, a Formiga Atômica ganhou a voz de Howard Morris na primeira leva e, logo depois, de Don Messick, também conhecido como Scooby-Doo.
No Brasil, a Herbert Richers cuidou da redublagem, com Rodney Gomes no papel-título e direção de Luís Manuel. Narradores como Gualter França e Ricardo Mariano acrescentaram tempero radiofônico à aventura.
Personagens recorrentes e vilões irreverentes
Professor Von Gimmick – cientista que vive inventando armas absurdas para dominar a cidade.
Pulga Feroz – adversário preferido do público, volta e meia multiplicada por radiação.
Prefeito militante – político atrapalhado que sempre depende da formiga.
Polícia local – Chefe e Subchefe, únicos agentes da lei e fonte constante de piadas sobre orçamento curto.
Do laboratório à televisão brasileira
A Formiga Atômica estreou na Rede Globo no início dos anos 1970, em meio ao bloco “HB 77”, migrando depois para Record, Bandeirantes e SBT.
Nos anos 1990 virou figurinha carimbada de Cartoon Network e Boomerang. Hoje pode ser vista no Tooncast, na Rede Brasil e no streaming Max, dentro do catálogo de clássicos Hanna-Barbera.
Curiosidades superpoderosas
O primeiro episódio, “Up and Atom”, teve pré-exibição em horário nobre numa noite de setembro de 1965, algo raro para animações infanto-juvenis.
A trilha-tema composta por Ted Nichols foi reutilizada como jingle do estúdio em trailers de 1966.
Ao contrário de heróis musculosos, Atom Ant malha apenas quando precisa superar obstáculos, conceito que antecipou piadas sobre “treino funcional” 40 anos antes de virar moda.
Don Messick, além de Scooby-Doo, dublou o cachorro Precioso no mesmo bloco de exibição.
A dublagem carioca popularizou o adjetivo “triônico”, inexistente no português, para reforçar a ideia de “atômico”.
Onde assistir hoje
Para matar a saudade de Formiga Atômica legalmente, o assinante do Max encontra as duas temporadas completas com áudio original e dublagem clássica.
Na TV paga, Tooncast exibe blocos temáticos nas madrugadas de domingo, enquanto a Rede Brasil mantém o desenho no programa “RB Kids” às manhãs de sábado.
DVDs sob demanda, lançados nos EUA em 2016, trazem extras com storyboards e entrevistas de arquivo.
Ao rever cada história, é impossível não notar a leveza narrativa, fruto direto do talento de Hanna-Barbera para entender o ritmo televisivo.
Mais que nostalgia, Formiga Atômica representa uma aula de criatividade com orçamento enxuto, prova de que ideias originais duram bem mais que qualquer moda.
Que o grito “Lá vai a triônica!” continue ecoando, lembrando-nos de que tamanho nunca foi documento para quem carrega imaginação explosiva.
Fonte: classicosdatv.com



