Por Érika Ricci – Psicóloga
Instagram: @erikaricci.psico
Hoje é Dia das Mães.
Uma data que costuma despertar emoções profundas, memórias afetivas e muitos gestos de carinho. Mas existe algo importante que poucas pessoas falam: crianças precisam aprender a demonstrar amor.
“Mãe, eu não preciso te dar nada porque você mesma disse que não liga.”
Essa frase pode parecer simples, mas revela algo muito importante sobre o desenvolvimento emocional infantil: as crianças aprendem sobre amor através daquilo que vivem, observam e escutam dentro de casa.
Muitas mães, na tentativa de não gerar obrigação ou culpa nos filhos, acabam repetindo frases como:
“Não precisa me dar presente.”
“Deixa isso pra lá.”
“Eu não ligo pra essas coisas.”
Mas a verdade é que quase toda mãe se emociona quando percebe um gesto genuíno de carinho, reconhecimento ou afeto vindo do filho. E isso não tem a ver com presentes caros. Tem a ver com vínculo emocional.
Demonstrar amor é uma habilidade — e habilidades precisam ser ensinadas.
Nenhuma criança nasce sabendo agradecer, homenagear, reconhecer esforços ou expressar afeto de forma espontânea. Isso é aprendido no cotidiano, através das experiências, das conversas e, principalmente, do exemplo dos adultos.
Quando os pais demonstram carinho, agradecem, elogiam, abraçam e valorizam pequenos gestos, estão ensinando algo muito maior do que educação: estão ensinando conexão humana.
Uma criança que aprende a expressar amor tende a desenvolver mais empatia, mais consciência emocional e relações mais saudáveis ao longo da vida. Ela aprende a valorizar quem cuida dela, a reconhecer sentimentos e a construir vínculos afetivos mais seguros.
Mas existe um detalhe importante: afeto não deve ser forçado. Obrigar uma criança a abraçar, beijar ou demonstrar carinho de uma forma específica pode gerar resistência emocional. O mais saudável é guiar através da consciência e do exemplo.
Ao invés de:
“Vai lá dar um beijo na vovó!”
Experimente:
“O que você sente quando vê a vovó? Como você pode mostrar isso pra ela?”
Isso ajuda a criança a desenvolver autenticidade emocional, e não apenas obediência automática.
Pequenos rituais também fazem diferença. Um abraço antes da escola, um “eu te amo” antes de dormir, agradecer juntos durante uma refeição ou separar alguns minutos exclusivos para estar presente com o filho são atitudes simples, mas extremamente poderosas.
O Dia das Mães não precisa ser apenas uma data comemorativa.
Ele também pode ser um convite para ensinar algo que a criança levará para a vida inteira: a importância de reconhecer, valorizar e expressar amor por quem ama.
Porque sentir amor é importante.
Mas aprender a demonstrar amor transforma relações.
Que seu domingo do dia das mães seja tão especial quanto você merece e seja feliz da forma que de fato é importante para você.
Érika Ricci é psicóloga clínica, com atuação em psicoterapia infantil, juvenil e orientação familiar. Diretora da clínica Jardim da Consciência, realiza acompanhamento psicológico com foco no desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes, além de apoio às famílias no processo educativo.
Érika Ricci – Psicóloga Clínica
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