Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
WhatsApp: (11) 91169-1479
No Dia das Mães, ela não ouviu “feliz Dia das Mães”.
Sua filha não fala.
Ou talvez não consiga demonstrar afeto da forma que as pessoas esperam.
E, ainda assim, existia amor naquele abraço rápido, naquele olhar, na presença construída diariamente entre as duas.
Quando falamos sobre maternidade, ainda existe uma expectativa muito idealizada sobre como essa experiência deveria acontecer. As propagandas mostram filhos emocionados, declarações prontas, momentos perfeitos e cheios de significado. Mas, para muitas mães, especialmente as que vivem a maternidade atípica, a realidade pode ser diferente.
A maternidade atípica envolve mulheres que cuidam de filhos com condições que exigem acompanhamentos, adaptações e necessidades específicas, como transtornos do neurodesenvolvimento, síndromes raras, deficiências físicas ou condições crônicas de saúde. E junto com os cuidados diários, muitas vezes essas mães também atravessam sentimentos difíceis de nomear.
Existe amor, mas também pode existir cansaço.
Existe dedicação, mas também medo, sobrecarga e solidão.
Algumas mães relatam viver um tipo de luto silencioso, não pela ausência de amor pelo filho, mas pela diferença entre a maternidade imaginada e a maternidade real que precisaram aprender a construir. E falar sobre isso ainda pode gerar culpa, como se reconhecer dificuldades diminuísse o amor que sentem.
Mas não diminui.
A ciência já mostra que mães de crianças com necessidades específicas apresentam níveis mais elevados de sobrecarga emocional, estresse e risco para adoecimento mental, especialmente quando existe pouco apoio social e emocional. Por isso, olhar para a saúde mental dessas mulheres também é uma forma de cuidado familiar.
Ao mesmo tempo, muitas dessas mães aprendem novas formas de enxergar o vínculo. Descobrem afeto nos detalhes, nas pequenas evoluções, nos gestos que talvez passem despercebidos para quem está de fora. Nem todo amor será expresso em palavras e isso não significa ausência de conexão.
Talvez uma das coisas mais importantes que possamos oferecer às mães atípicas seja menos julgamento e mais acolhimento. Menos comparações e mais escuta. Porque cada maternidade carrega desafios invisíveis que nem sempre aparecem nas fotos, nas datas comemorativas ou nas redes sociais.
Neste mês em que tanto se fala sobre maternidade, é importante lembrar que existem diversos caminhos para a maternidade, muitas formas de maternar e muitas formas de amar.
____
Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



