Por: Jakson Lopes
Instagram: jaksondealmeidalopes
Jakson Lopes é assistente social, especialista em Serviço Social na Educação, com atuação voltada à defesa, valorização e fortalecimento da presença de assistentes sociais nas políticas educacionais.
É colunista de Serviço Social no Portal Som de Papo, espaço em que promove reflexões, análises e debates sobre temas relevantes para a profissão e para a garantia de direitos no campo educacional.
Também é idealizador do movimento social em defesa da regulamentação e da efetiva implementação da Lei nº 13.935/2019, legislação que assegura a inserção de profissionais de Serviço Social e Psicologia nas redes públicas de educação básica, contribuindo para a construção de uma educação mais inclusiva, democrática e comprometida com a proteção integral de crianças, adolescentes e suas famílias.
Além disso, atua como produtor de conteúdo sobre Serviço Social na Educação, compartilhando conhecimentos, experiências e informações que fortalecem o exercício profissional, ampliam o debate sobre políticas públicas educacionais e incentivam a efetivação dos direitos sociais.
Com uma trajetória marcada pelo compromisso ético e pela defesa da educação pública de qualidade, Jakson Lopes dedica-se à promoção de ações e iniciativas que evidenciam a importância do Serviço Social na garantia do acesso, da permanência e do sucesso escolar dos estudantes.
Autonomia, Independência e Protagonismo: Valores Essenciais para o Desenvolvimento Humano e para a Prática do Serviço Social
A autonomia, a independência e o protagonismo constituem dimensões fundamentais para o desenvolvimento integral do indivíduo e representam valores centrais na atuação profissional do Serviço Social.
Autonomia corresponde à capacidade de governar a própria vida, tomar decisões conscientes e conduzir as próprias escolhas com base em valores, convicções e objetivos pessoais. Trata-se de um atributo intimamente relacionado à liberdade, à responsabilidade e à autodeterminação.
A independência, por sua vez, refere-se à capacidade de agir e tomar decisões sem dependência excessiva de terceiros. Longe de significar isolamento ou ausência de vínculos afetivos, representa a possibilidade de exercer a liberdade e assumir o controle sobre a própria trajetória.
Já o protagonismo diz respeito à postura ativa diante da vida, caracterizada pela capacidade de assumir responsabilidades, participar das transformações da realidade e tornar-se agente da própria história. O protagonismo implica superar a passividade, fortalecendo a participação consciente nos processos de desenvolvimento pessoal, profissional e social.
A promoção da autonomia produz importantes benefícios, entre os quais se destacam o fortalecimento da autoconfiança e da autoestima, o desenvolvimento da capacidade de enfrentar desafios, a ampliação da criatividade e da habilidade para solucionar problemas, bem como a construção de projetos de vida alinhados aos valores e objetivos individuais.
Além disso, indivíduos autônomos tendem a apresentar maior capacidade de adaptação às mudanças, postura mais proativa e participação mais consciente na vida em sociedade, exercendo seus direitos e cumprindo seus deveres de cidadania.
Nesse contexto, a autonomia, a independência e o protagonismo constituem elementos indispensáveis para uma existência mais livre, responsável e significativa, favorecendo o crescimento humano e a participação social.
No âmbito do Serviço Social, a defesa da autonomia, da emancipação humana e do protagonismo dos usuários encontra-se fundamentada no Projeto Ético-Político da profissão, que reconhece a liberdade como valor central e a defesa intransigente dos direitos humanos como princípio fundamental.
A profissão compreende os indivíduos como sujeitos ativos de suas próprias histórias e, por essa razão, opõe-se às práticas assistencialistas, paternalistas e tutelares que reproduzem relações de dependência e restringem o exercício da cidadania.
Dessa forma, o Serviço Social brasileiro orienta sua atuação para o fortalecimento das capacidades dos sujeitos, visando assegurar condições para que possam exercer seus direitos, participar das decisões que afetam suas vidas e construir processos de emancipação social.
Importa destacar que a autonomia não é concedida pelo assistente social, pois constitui um direito inerente à condição humana. Cabe ao profissional contribuir para seu fortalecimento, por meio do acesso à informação, da garantia de direitos, da mediação institucional, da educação social e do estímulo à participação cidadã.
Nesse sentido, o assistente social atua como mediador, articulador e facilitador de processos que favoreçam o empoderamento dos usuários, promovendo o desenvolvimento da consciência crítica e da capacidade de intervenção na realidade social.
Mais do que responder às demandas imediatas, o trabalho profissional busca instrumentalizar os indivíduos para que se tornem protagonistas de suas próprias trajetórias, superando situações de vulnerabilidade, exclusão social e dependência institucional.
Assim, o objetivo do Serviço Social não consiste em produzir relações de dependência, mas em promover a autonomia, a emancipação e o fortalecimento da cidadania. Fazer pelos usuários aquilo que eles próprios podem construir com apoio e acesso aos seus direitos significa limitar seu desenvolvimento e enfraquecer sua condição de sujeitos históricos.
Portanto, estimular a autonomia, a independência e o protagonismo dos usuários constitui um dos mais relevantes compromissos éticos e políticos do Serviço Social, reafirmando a centralidade da liberdade, da dignidade humana e da participação social na construção de uma sociedade mais justa e democrática.



