Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
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Quando um bebê nasce, muita coisa muda.
Mudam os horários, a rotina, as noites de sono, as prioridades e, também, até a forma como o casal se relaciona.
É comum que a chegada de um filho seja imaginada como um momento de alegria e realização. E ela pode ser tudo isso. Mas também é um período de adaptação, descobertas e desafios que nem sempre são discutidos com a mesma frequência.
Se antes o casal funcionava de uma determinada maneira, agora existe uma nova dinâmica sendo construída. E, como em qualquer time que recebe um novo integrante, é preciso reorganizar funções, ajustar expectativas e aprender a trabalhar em conjunto.
Pesquisas mostram que a transição para a parentalidade está entre as mudanças mais significativas da vida adulta. O cansaço, a privação de sono, as responsabilidades e as preocupações com o bebê podem impactar a comunicação e a convivência do casal.
É nesse momento que muitas mulheres relatam sentir que carregam sozinhas o peso dos cuidados. Não apenas as tarefas práticas, mas também o chamado “trabalho invisível”: lembrar consultas, organizar a rotina, observar necessidades do bebê e planejar tudo o que envolve o dia a dia da família.
Quando essa carga se concentra em apenas uma pessoa, a sobrecarga emocional tende a aumentar. E a sobrecarga não afeta apenas a saúde mental da mãe. Ela também pode gerar conflitos, ressentimentos e afastamento entre o casal.
Por isso, falar sobre divisão de tarefas não é apenas uma questão de organização. É uma questão de cuidado.
Cuidado com a saúde mental da mulher.
Cuidado com a saúde da relação.
Cuidado com o desenvolvimento de uma parentalidade mais equilibrada.
Isso não significa dividir tudo exatamente pela metade ou criar uma lista rígida de responsabilidades. Cada família encontrará a forma que melhor funciona para sua realidade. O mais importante é que exista diálogo, parceria e a compreensão de que o cuidado com um filho é uma construção compartilhada.
Também é importante lembrar que nem sempre os desafios aparecem apenas nos primeiros meses. A adaptação à parentalidade é um processo contínuo. Novas fases do desenvolvimento da criança costumam trazer novas demandas e exigir novos ajustes.
Uma reflexão importante que eu gostaria de deixar para os casais que estão lendo essa matéria hoje é: “Como estamos vivendo essa experiência juntos?”
Porque, quando nasce um bebê, nasce também uma mãe, nasce um pai e nasce uma nova configuração familiar que precisa ser cuidada.
E assim como acontece em um time, ninguém deveria precisar jogar sozinho.
Como psicóloga perinatal, acompanho mulheres e famílias nos desafios emocionais da fertilidade, da gestação, do pós-parto e da maternidade. Cuidar da saúde mental nesse período também significa fortalecer relações, construir redes de apoio e criar espaços de diálogo para que essa nova fase seja vivida com mais acolhimento e menos sobrecarga.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



