Por Dra Thayse Santos
@dra.thaysesantos
@veridiana.mediciapericial
Dor nas costas, dor no pescoço, dores articulares, enxaquecas, fibromialgia, dores que persistem por meses ou até anos.
A dor está entre as queixas mais frequentes nos consultórios médicos e também nas perícias médicas. Mas existe uma pergunta que muitas pessoas fazem, embora nem sempre em voz alta: “O perito acredita na minha dor?” A resposta pode surpreender. Sim, o perito acredita que a dor existe.
A medicina reconhece que a dor é uma experiência real e individual. Afinal, ela não é apenas um sintoma físico. A dor envolve aspectos biológicos, emocionais e até sociais. Duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem sentir dores completamente diferentes. Mas então surge uma segunda pergunta: “Se o perito acredita na dor, por que nem toda pessoa que sente dor é considerada incapaz?”
Porque a função da perícia médica não é determinar se a dor existe ou não. A função da perícia é avaliar o impacto que essa dor produz na vida da pessoa. Em outras palavras: a perícia procura compreender se aquela condição limita atividades do dia a dia, reduz a capacidade laboral, interfere na autonomia ou impede o exercício habitual de determinada profissão. Por isso, a avaliação pericial vai muito além de um simples relato.
O médico perito analisa documentos, exames, histórico clínico, tratamentos realizados, evolução da doença e, principalmente, a coerência entre os achados médicos e as limitações apresentadas.
É importante entender que nem toda dor gera incapacidade. Da mesma forma, algumas pessoas podem apresentar exames discretos e, ainda assim, possuir limitações significativas. É justamente nesse ponto que a perícia médica se torna tão importante. Ela busca transformar uma experiência subjetiva — a dor — em uma análise técnica, fundamentada e objetiva.
E voltamos à pergunta inicial: O perito acredita na dor? Sim. Acredita.
Mas seu papel não é apenas acreditar. Seu papel é avaliar, com conhecimento científico, imparcialidade e responsabilidade, quais são as repercussões daquela dor na vida real do indivíduo. Porque, na medicina pericial, mais importante do que medir a dor é compreender o que ela impede uma pessoa de fazer.
Dra. Thayse Santos, é médica especialista e atuante nas áreas de Perícia Médica Judicial, saúde mental, beleza e qualidade de vida. Atua como perita médica junto ao Poder Judiciário, realizando avaliações técnicas em processos judiciais com enfoque ético, humanizado e baseado em evidências científicas.
Nesta coluna, busca aproximar o público do universo da perícia médica por meio de uma linguagem clara, acessível e acolhedora, traduzindo temas técnicos para o cotidiano das pessoas.



