Por Jorge Gabriel
Poucos jogadores na história do futebol viveram uma montanha-russa emocional tão intensa quanto Lionel Messi com a camisa da Seleção Argentina. Durante anos, o maior craque de sua geração conviveu com críticas por não conseguir repetir pela Albiceleste o mesmo brilho que tinha em clubes. Para muitos, faltava “o grande título”. Para Messi, faltava apenas o tempo certo.
O caminho até a glória foi marcado por dores profundas. Em 2014, Messi conduziu a Argentina até a final da Copa do Mundo FIFA de 2014, sendo eleito o melhor jogador do torneio. Porém, o sonho foi interrompido na prorrogação, quando a Alemanha venceu por 1 a 0. Aquela derrota marcou uma geração e deixou a sensação de que a oportunidade havia escapado.
Os anos seguintes foram ainda mais cruéis. Em 2015, a Argentina voltou a uma decisão, desta vez na Copa América de 2015. Depois de um empate sem gols, a equipe foi derrotada nos pênaltis pelo Chile. Um ano depois, no centenário da competição, a história se repetiu na Copa América Centenário. Novamente empate, novamente disputa por pênaltis, novamente derrota. Messi, que desperdiçou sua cobrança, anunciou ali sua aposentadoria da seleção, afirmando que seu ciclo havia terminado.
Mas os grandes ídolos são definidos pela forma como respondem às derrotas. Dias depois, incentivado por companheiros, familiares e torcedores, Messi voltou atrás. A decisão mudaria para sempre a história do futebol argentino.
A recompensa veio em 2021. No lendário estádio do Maracanã, a Argentina venceu o Brasil por 1 a 0 e conquistou a Copa América de 2021. O título encerrou um jejum de 28 anos sem conquistas e tirou um enorme peso das costas de Messi, que enfim levantava seu primeiro troféu pela seleção principal.
No ano seguinte, veio mais um capítulo especial. A Argentina derrotou a Itália por 3 a 0 e conquistou a Finalíssima de 2022, mostrando que a equipe de Lionel Scaloni estava pronta para voos ainda maiores.
Então chegou a Copa do Mundo FIFA de 2022. Messi liderou uma campanha memorável, marcou sete gols, distribuiu assistências, foi decisivo em todas as fases do mata-mata e terminou como artilheiro da Argentina e melhor jogador do torneio. Na final contra a França, brilhou mais uma vez e, após uma das maiores decisões da história das Copas, levantou o troféu que faltava em sua carreira.
A trajetória de Messi pela Argentina deixou de ser lembrada pelas derrotas para se tornar um dos maiores exemplos de perseverança da história do esporte. O jogador que esteve a poucos dias de abandonar a seleção terminou sua caminhada como campeão da Copa América, da Finalíssima e da Copa do Mundo, além de se eternizar como artilheiro argentino no Mundial do Catar.
E quando muitos acreditavam que a história já estava completa, Lionel Messi decidiu escrever mais um capítulo. Aos 39 anos, iniciou sua sexta participação em uma Copa do Mundo FIFA de 2026 mostrando que ainda era capaz de decidir no maior palco do futebol. Logo na estreia, marcou um hat-trick diante da Argélia, igualando a histórica marca de 16 gols de Miroslav Klose. Dias depois, contra a Áustria, balançou as redes duas vezes e chegou a 18 gols em Copas do Mundo, tornando-se o maior artilheiro da história da competição. Lionel Messi superou um recorde que resistia desde 2014 e reafirmou que sua trajetória na seleção ainda estava longe do fim.
Porque, às vezes, a maior vitória não é evitar as quedas, mas encontrar forças para levantar mais uma vez. E ninguém simboliza isso melhor do que Lionel Messi.



