Por Viviane Wroblewski
@vivi_missao_financas
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Liberar os funcionários para assistir aos jogos da Copa gera prejuízo para a empresa?
Sempre que acontece uma Copa do Mundo, a mesma dúvida aparece nas empresas: vale a pena liberar os funcionários para assistir aos jogos ou isso representa prejuízo?
A resposta pode surpreender: depende.
Não existe uma resposta única, porque tudo depende do quanto a empresa conhece seus próprios números. E é exatamente nesse ponto que entra a controladoria.
Muitos empresários enxergam apenas o tempo em que a equipe ficará parada. Mas, antes de concluir que haverá prejuízo, é preciso entender como os custos da empresa são formados.
Na composição do preço de um produto ou serviço existem dois grandes grupos de gastos: custos e despesas.
Os custos estão diretamente ligados à produção ou à prestação do serviço. Um exemplo é a hora-máquina ou a mão de obra produtiva. Quando a empresa reduz o tempo de produção, como ao liberar a equipe durante um jogo, o custo por unidade produzida pode aumentar, já que parte dos custos fixos continuará existindo, mas será distribuída por uma produção menor.
Já as despesas estão relacionadas à administração e ao funcionamento da empresa, como financeiro, comercial e administrativo. Elas continuam existindo independentemente de haver produção naquele momento.
Mas é aqui que a controladoria faz toda a diferença.
Empresas que trabalham com planejamento anual sabem que eventos como Copa do Mundo, feriados prolongados e datas comemorativas fazem parte da rotina do negócio. Esses períodos podem ser previstos e considerados na programação da produção, na definição das metas e até na formação dos preços.
Quando isso acontece, liberar os colaboradores deixa de ser uma decisão baseada na emoção e passa a ser uma decisão baseada em planejamento.
Agora, imagine uma indústria cuja produção já estava abaixo da capacidade naquele dia. Será que interromper algumas horas realmente geraria prejuízo? Ou a empresa apenas deixaria de utilizar uma capacidade que já estava ociosa?
Da mesma forma, pense em uma empresa de serviços que consegue reorganizar os atendimentos antes e depois do jogo, sem comprometer as entregas aos clientes. Nesse caso, o impacto financeiro pode ser mínimo ou até inexistente.
O problema não está em liberar ou não os funcionários.
O problema é decidir sem conhecer a capacidade produtiva da empresa, sem saber quanto custa uma hora parada e sem entender se aquela interrupção realmente afetará os resultados.
A controladoria existe justamente para responder essas perguntas.
Ela fornece informações para que o empresário saiba quando uma decisão gera custo, quando ela pode ser absorvida pelo planejamento e quando representa apenas uma mudança de agenda.
No fim, a discussão não deveria ser “liberar ou não liberar”.
A verdadeira pergunta é: a sua empresa conhece seus números o suficiente para tomar essa decisão com segurança?
Porque empresas que conhecem seus custos não administram apenas o presente. Elas se planejam para eventos previsíveis e transformam decisões do dia a dia em decisões estratégicas.
Viviane Wroblewski, colunista de controladoria no portal Som de Papo, mais de 15 anos de experiência em finanças, proprietária do escritório Missão Finanças Serviços de Contabilidade e Finanças.



