Por Simone Baptista
Existe um medo que quase nenhum advogado admite.
Não é o medo de perder um prazo.
Não é o medo de enfrentar uma audiência.
Também não é o medo de estudar um caso complexo.
É o medo de ser visto.
Parece contraditório, não é?
O advogado passa anos estudando para construir conhecimento, investe em especializações, participa de cursos, acumula experiências e, quando chega o momento de mostrar ao mundo aquilo que sabe, recua.
Não grava o vídeo.
Não publica o artigo.
Não apresenta sua opinião.
Não ocupa espaços.
Não fala sobre a área em que atua.
E, depois de algum tempo, começa a fazer uma pergunta perigosa:
“Por que ninguém me reconhece?”
Talvez a resposta seja desconfortável.
Porque você ainda está se escondendo.
O medo do julgamento
Na advocacia, existe uma cultura silenciosa de julgamento.
O advogado teme o que os colegas vão pensar.
“Será que vão achar que estou querendo aparecer?”
“Será que vão criticar o que eu disse?”
“E se eu falar alguma coisa errada?”
“E se ninguém assistir?”
“E se rirem de mim?”
Perceba uma coisa.
Na maioria das vezes, o advogado não tem medo da câmera.
Ele tem medo da opinião das pessoas que estão atrás dela.
E é justamente aí que nasce o verdadeiro problema.
O medo deixa de ser uma emoção e começa a se transformar em estratégia de vida.
Você evita.
Você adia.
Você se cala.
Você se esconde.
E chama isso de prudência.
Mas nem sempre é prudência.
Às vezes, é medo disfarçado de perfeccionismo.
O advogado invisível
O mercado jurídico mudou.
Hoje, competência técnica continua sendo indispensável. Mas existe uma verdade que muitos profissionais ainda resistem em aceitar:
o mercado não consegue reconhecer um conhecimento que nunca é comunicado.
Você pode ser um excelente advogado previdenciarista.
Pode dominar Direito de Família.
Pode conhecer profundamente Direito Trabalhista.
Pode ser brilhante em uma área extremamente específica.
Mas, se ninguém sabe disso, sua competência permanece restrita ao seu escritório.
Existe uma diferença entre ser competente e ser percebido como autoridade.
Autoridade não nasce apenas do conhecimento.
Nasce da capacidade de comunicar conhecimento de forma clara, ética e consistente.
É por isso que encontramos advogados extraordinários tecnicamente vivendo uma carreira muito menor do que poderiam construir.
Não lhes falta conhecimento.
Falta visibilidade.
A quebra de padrão
Durante muitos anos, ensinaram ao advogado que o bom profissional deveria ser discreto.
E existe valor na discrição.
Existe valor na sobriedade.
Existe valor na tradição da advocacia.
Mas discrição nunca deveria ser confundida com invisibilidade.
Você não precisa transformar sua advocacia em um espetáculo.
Não precisa expor sua vida inteira.
Não precisa seguir todas as tendências das redes sociais.
E definitivamente não precisa abandonar a postura profissional.
Mas precisa compreender uma coisa:
posicionamento não é exposição vazia. Posicionamento é direção.
É escolher aquilo pelo qual você deseja ser lembrado.
É comunicar aquilo que você domina.
É permitir que as pessoas certas encontrem você.
Na Advocacia Exponencial, nós não falamos sobre aparecer por aparecer.
Falamos sobre ocupar espaços com propósito.
O medo do medo
Talvez o maior problema não seja sentir medo.
O medo é humano.
O problema começa quando você passa a ter medo de sentir medo.
Você evita gravar porque teme ficar nervoso.
Evita palestrar porque teme esquecer uma palavra.
Evita publicar porque teme uma crítica.
Evita crescer porque teme não conseguir sustentar o próximo nível.
E, sem perceber, constrói uma carreira inteira tentando evitar desconfortos.
Mas existe algo que aprendi observando advogados que crescem:
a coragem nunca chega antes da ação.
Primeiro você faz com medo.
Depois você percebe que sobreviveu.
Então faz novamente.
E, pouco a pouco, aquilo que parecia impossível se transforma em parte da sua identidade.
O primeiro vídeo pode ser ruim.
A primeira palestra pode não sair como você imaginou.
O primeiro artigo pode não ter o alcance esperado.
Mas existe algo muito pior do que começar imperfeito.
É permanecer invisível esperando o momento perfeito.
A Advocacia Exponencial começa quando você decide ocupar o seu lugar
A exposição com estratégia exige clareza.
Você precisa saber quem deseja alcançar.
Qual problema deseja ajudar a resolver.
Qual conhecimento pretende compartilhar.
E, principalmente, qual legado profissional deseja construir.
É nesse ponto que a mentoria ganha importância.
Porque muitas vezes o advogado não precisa de mais uma informação.
Ele precisa de direção.
Precisa de alguém capaz de mostrar seus pontos cegos.
De organizar suas ideias.
De ajudá-lo a transformar conhecimento em posicionamento.
E, algumas vezes, precisa apenas ouvir:
“Você já está pronto para começar.”
Fechamento
Talvez você não esteja estagnado por falta de clientes.
Talvez não seja o algoritmo.
Talvez não seja a concorrência.
Talvez o mercado ainda não tenha percebido o seu valor porque você ainda não permitiu que ele enxergasse você.
Então eu deixo uma reflexão.
Até quando o medo da opinião de algumas pessoas terá poder para impedir que milhares de outras conheçam o trabalho que você pode realizar?
Você não precisa perder o medo para começar.
Comece com medo.
Fale com medo.
Grave com medo.
Posicione-se com medo.
Porque, em algum momento, você perceberá que o medo ficou pequeno.
Não porque ele desapareceu.
Mas porque você cresceu.
Simone Baptista Advogada Previdenciarista | Mentora de Advogados Advocacia Exponencial
“O mercado não pode reconhecer uma autoridade que escolheu permanecer invisível.”



