Por Dra Thayse Santos
@dra.thaysesantos
@veridiana.mediciapericial
Para muitas pessoas, o dia da perícia médica é cercado de dúvidas, ansiedade e até medo. É comum ouvir perguntas como: “O perito vai acreditar em mim?”, “Quanto tempo dura a consulta?”, “O que ele vai perguntar?” ou “Preciso levar todos os meus exames?”.
Esses sentimentos são compreensíveis. Afinal, a perícia médica costuma acontecer em momentos importantes da vida, quando uma decisão poderá influenciar direitos, benefícios ou o andamento de um processo judicial. Mas, afinal, o que realmente acontece dentro de uma perícia médica?
Ao contrário do que muitos imaginam, a perícia não é um simples olhar sobre exames ou um encontro de poucos minutos. Ela é uma avaliação médica estruturada, conduzida com método, critérios técnicos e responsabilidade. Tudo começa pela análise da documentação apresentada. Laudos, exames, receitas, prontuários e demais registros ajudam a reconstruir a história clínica do paciente.
Em seguida, o médico conversa com o periciado. Esse momento é fundamental. O objetivo não é apenas conhecer o diagnóstico, mas compreender quando os sintomas começaram, como evoluíram, quais tratamentos já foram realizados e de que maneira a condição de saúde interfere na vida da pessoa. Depois, quando indicado, é realizado o exame físico ou psíquico. Dependendo da situação, o médico avalia movimentos, força muscular, amplitude das articulações, sinais clínicos, estado mental e outros aspectos relevantes para aquele caso.
Durante toda a avaliação, o médico perito busca responder perguntas técnicas que interessam ao processo. Existe doença? Ela está comprovada? Há incapacidade? Essa limitação é temporária ou permanente? Existe relação entre a doença e a atividade exercida? Qual é o impacto funcional dessa condição?
Perceba que a perícia não procura apenas um diagnóstico. Ela procura compreender os fatos médicos de forma objetiva e fundamentada. Outro ponto importante é que o médico perito atua com imparcialidade. Seu compromisso não é favorecer nenhuma das partes envolvidas, mas oferecer uma análise técnica baseada na ciência, na ética e nas evidências disponíveis. Por isso, cada informação tem valor. Cada documento pode contribuir para esclarecer o caso. E cada avaliação é individual, respeitando a história e as particularidades de quem está sendo examinado.
Ao final, o perito elabora um laudo médico, reunindo suas conclusões de forma clara e fundamentada. Esse documento servirá como uma importante prova técnica para auxiliar a Justiça ou o órgão responsável pela decisão. A perícia médica não existe para julgar pessoas. Ela existe para esclarecer fatos. E quanto maior a qualidade da avaliação, maior a contribuição da medicina para decisões mais seguras, justas e fundamentadas. Porque, quando ciência e responsabilidade caminham juntas, a verdade médica se torna um importante instrumento da Justiça.
Informação também é cuidado. Nos encontramos na próxima coluna.
Dra. Thayse Santos, é médica especialista e atuante nas áreas de Perícia Médica Judicial, saúde mental, beleza e qualidade de vida. Atua como perita médica junto ao Poder Judiciário, realizando avaliações técnicas em processos judiciais com enfoque ético, humanizado e baseado em evidências científicas.
Esta coluna busca aproximar o público do universo da perícia médica por meio de uma linguagem clara, acessível e acolhedora, traduzindo temas técnicos para o cotidiano das pessoas.



