Por Fabiana Ribeiro
@fabianaribeirodos805
A arte não é apenas uma expressão estética, ela mobiliza processos cognitivos, emocionais e neurobiológicos.
O fazer artístico envolve redes neurais integradas relacionadas a emoção, memória, atenção, recompensa, criatividade e funções executivas.
Embora tenhamos o hábito de associar as atividades artísticas ao lazer, a ciência vêm demonstrando que produzir artes promove importantes alterações na atividade cerebral e oportuniza a liberação de neurotransmissores e neuromoduladores, responsáveis pela motivação, recompensa e criatividade (Dopamina), pela sensação de bem-estar e estabilidade emocional (serotonina), oportuniza a sensação de analgesia e prazer (endorfina), diminui a ansiedade e contribui para os estados de relaxamento (Gaba), auxilia na manutenção da atenção e concentração (Noradrenalina), desenvolve vínculo e confiança (Ocitocina) e contribui para o comportamento social e memória (vasopressina).
Podendo se afirmar, que diversas redes neurais entram em comunicação simultâneamente, quando desempenhamos algumas ações.
Ao pintar uma tela, escolher cores ou modelar uma argila, diferentes sistemas entram em funcionamento, as funções executivas planejam a ação, a atenção sustenta o foco na atividade, os sistemas motores coordenam os movimentos, as áreas visuais processam formas e cores, os circuitos emocionais atribuem significados à experiência, as redes de memória recuperam lembranças e vivências e o sistema de recompensa ativa a sensação de prazer e satisfação, liberando os neurotransmissores e neuromoduladores citados acima, que reduzem o nível de Cortisol (hormônio associado ao stress) e produzem a sensação de tranquilidade, alívio e bem-estar.
Portanto, ao criar, o cérebro desenvolve flexibilidade cognitiva, fortalece habilidades relacionadas ao pensamento criativo, a adaptação e resolução de problemas, a tomada de decisões, a experimentação de materiais, estimula a atenção sustentada e favorece o estado de profunda concentração, denominado estado de “fluxo” ou de flow, estado de envolvimento total na experiência. Nos estudos da Psicologia ativa, o psicólogo Mihaly (1990, p. 4 – edição original em inglês) define “Flow como: um estado em que as pessoas estão tão envolvidas em uma atividade que nada mais parece importar, a experiência em si é tão prazerosa que elas a realizam mesmo com grande esforço, simplesmente pelo prazer de fazê-la.”
Portanto, produzir arte vai muito além do desenho, a ciência comprova o que muitos arteterapeutas observam diariamente em seus atendimentos: quando as mãos criam, o cérebro aprende, quando a criatividade encontra espaço, emoções podem ser organizadas, e quando a arte ganha sentido, o ser humano amplia suas possibilidades de transformação.
Em arteterapia, a integração de conhecimentos em psicologia, neurociência e artes, oportuniza aos profissionais e seus pacientes um ambiente seguro para que emoções possam ser reconhecidas, simbolizadas, enfrentadas e ressignificadas. Transformando a arte em um recurso terapêutico extremamente potente para tratar os males emocionais decorrentes de uma sociedade acelerada e marcada pelo excesso de estímulos.
Referência bibliográfica:
Csikszentmihalyi, M. (1990). Flow: The psychology of optimal Experience. New York: Harper e Row.
Fabiana Ribeiro dos Santos é Pedagoga, Psicopedagoga, Neuroeducadora, graduanda em Terapia Ocupacional, Pós graduanda em psicologia ativa, gestão de pessoas e saúde no trabalho, Ludicidade e Artes, Análise do Comportamento ABA, Palestrante, Apresentadora de Podcast na Rede Tríade TV e na Rádio Cidade das Rosas (87.5 FM).



