Por Jéssica Monteiro Lima
@psi.jessicamonteirolima
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Outubro chega trazendo novamente o convite para olhar para a saúde das mulheres.
Quando falamos em Outubro Rosa, pensamos na prevenção, no diagnóstico precoce e na importância de cuidar da saúde das mamas, e esse cuidado é fundamental, mas existe uma outra dimensão que também merece espaço nessa conversa: o que acontece emocionalmente com uma mulher quando seu corpo muda?
Um exame que desperta medo.
Uma investigação que traz incertezas.
Um diagnóstico inesperado.
Um tratamento que modifica a rotina e a relação com o próprio corpo.
Tudo isso pode mobilizar emoções que nem sempre aparecem nas consultas médicas. Ansiedade, tristeza, medo, raiva, insegurança e preocupação com o futuro podem fazer parte dessa experiência. Estudos mostram que mulheres com câncer de mama apresentam maior ocorrência de sintomas de ansiedade, depressão e estresse, reforçando a importância de olhar também para a saúde emocional durante e após o tratamento.
E existe uma questão ainda mais delicada quando falamos de mulheres que estão vivendo este momento durante outras transições importantes da vida. Para uma tentante, uma investigação ou um tratamento de saúde pode se encontrar com o projeto de maternidade.
Para uma gestante, pode surgir o medo de como uma condição de saúde afetará a gestação e o bebê. Para uma puérpera ou mãe, pode existir a preocupação de continuar cuidando dos filhos enquanto também precisa cuidar de si. É nesse ponto que o olhar da Psicologia Perinatal também encontra a saúde mental feminina.
Não porque toda questão de saúde precise ser transformada em uma questão perinatal, mas porque corpo, emoções, relacionamentos, projetos de vida e identidade não funcionam em compartimentos separados. Quando uma mulher passa por uma grande mudança física, sua percepção sobre si mesma também pode ser afetada, e isso merece espaço para ser elaborado, afinal, uma mulher pode estar agradecida pelo tratamento e, ao mesmo tempo, sentir medo.
A psicoterapia pode contribuir justamente nesse processo, pesquisas indicam que as intervenções psicológicas, apresentam benefício para sintomas de ansiedade, depressão, estresse e qualidade de vida em mulheres com câncer de mama. Mas o cuidado não começa somente quando existe um diagnóstico, começa quando uma mulher percebe que algo mudou e consegue falar sobre isso, começa quando ela aceita pedir ajuda, começa quando a família entende que estar presente não significa apenas perguntar sobre o tratamento, mas também perguntar: “Como você está se sentindo com tudo isso?”
O Outubro Rosa nos lembra da importância de cuidar do corpo e de buscar informação e acompanhamento adequado, gostaria de ampliar o nosso olhar para que a gente também cuide da mulher que existe para além do diagnóstico:
Da mulher que tem planos.
Que trabalha.
Que ama.
Que cuida.
Que deseja ser mãe ou já é mãe.
Que pode estar tentando engravidar.
Que está vivendo uma gestação.
Que acabou de ter um bebê.
Ou que simplesmente está atravessando uma fase de mudança e precisa de espaço para compreender o que está sentindo.
Porque cuidar da saúde da mulher é olhar para além do corpo.
É cuidar da pessoa inteira.
E saúde mental também faz parte desse cuidado.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



