Por Christmann Andrade Miranda @christmannandrade
Coluna Negócios | Portal Som de Papo
Atender candidatos e partidos durante o período eleitoral pode representar uma grande oportunidade para empresas e profissionais autônomos. O volume de encomendas aumenta, novos contratos aparecem e diversos setores passam a faturar mais. Contudo, esse mercado também apresenta riscos que precisam ser analisados antes da assinatura de qualquer contrato.
Uma campanha política necessita de estrutura para funcionar. São contratados serviços de impressão, comunicação visual, fotografia, filmagem, transporte, alimentação, assessoria, publicidade, produção de conteúdo e gestão de redes sociais. Além disso, há despesas com locação de espaços, equipamentos de som, materiais de escritório e contratação de equipes temporárias.
Para pequenas empresas, atender uma campanha pode significar um dos maiores pedidos do ano. Uma gráfica, por exemplo, pode produzir milhares de santinhos e adesivos em poucos dias. Uma empresa de alimentação pode fornecer refeições diariamente para coordenadores e equipes. Um profissional da comunicação pode assumir a produção de vídeos, textos e publicações destinadas às redes sociais.
No entanto, o entusiasmo com o aumento das vendas não deve substituir a análise empresarial. Antes de aceitar o serviço, o fornecedor precisa verificar quem será o responsável pela contratação, qual será a forma de pagamento, quais documentos serão exigidos e se o prazo solicitado poderá realmente ser cumprido.
Um erro comum é começar a produção com base apenas em promessas verbais. Como as campanhas são temporárias e encerram suas atividades após as eleições, o empresário pode enfrentar dificuldades para receber valores pendentes. A existência de contrato, orçamento aprovado, identificação do contratante e emissão de documento fiscal oferece maior segurança para todos os envolvidos.
Também é necessário avaliar os custos com matéria-prima e mão de obra. Durante o período eleitoral, a procura pode elevar o preço do papel, da tinta, dos adesivos e de outros insumos. Se a empresa não fizer uma boa composição de preço, poderá vender muito e, ainda assim, obter pouco lucro. Faturamento elevado não significa necessariamente resultado financeiro positivo.
Outro risco é comprometer toda a capacidade de produção com um único cliente. Quando isso acontece, a empresa pode deixar de atender seus consumidores habituais e ficar dependente de uma campanha. Uma estratégia mais segura é organizar a agenda, estabelecer limites de produção e reservar parte da estrutura para os clientes permanentes.
A reputação também deve ser protegida. A empresa fornece um serviço profissional e não precisa transformar a relação comercial em manifestação política. Atender diferentes candidatos de forma ética, respeitosa e dentro da legislação demonstra maturidade empresarial e evita conflitos com clientes de opiniões distintas.
O período eleitoral pode gerar bons contratos, aumento de faturamento e abertura de novos mercados. Entretanto, a oportunidade deve ser conduzida como qualquer outro negócio: com planejamento, documentação, controle de custos e responsabilidade.
Para o empresário, o melhor resultado não é apenas vender durante a campanha. É receber corretamente, preservar a reputação e manter a empresa saudável depois que as urnas forem fechadas. Na política e nos negócios, crescimento sem organização pode durar pouco; crescimento com responsabilidade pode deixar resultados permanentes.



