Por Marize Reges
Quem disse que, para amadurecer, precisamos deixar de ser meninas?
Existe uma criança dentro de cada mulher. Uma menina que já sonhou sem limites, que ria por qualquer motivo, que gostava de brincar, de se arrumar e que acreditava que tudo era possível.
Mas o tempo passa. Chegam as responsabilidades, o casamento, os filhos, o trabalho e tantas cobranças. E, sem perceber, muitas mulheres vão deixando aquela menina esquecida em algum cantinho da vida.
A sociedade nos ensina a amadurecer, mas às vezes parece exigir que, junto com a idade, abandonemos a espontaneidade, a alegria e até a vontade de fazer coisas consideradas bobas.
Mas quem disse que uma mulher madura não pode ser brincalhona, vaidosa, divertida e cheia de sonhos?
Hoje, aos 64 anos, percebo que uma das maiores riquezas do envelhecimento é justamente poder reencontrar aquela menina que um dia fui. A diferença é que agora ela tem experiência, maturidade e muito mais liberdade para ser quem deseja.
Ainda gosto de rir de mim mesma, de dançar, de fazer graça, de experimentar novidades e de me encantar com pequenas coisas. E não vejo nisso nenhuma falta de maturidade. Pelo contrário, vejo vida!
Envelhecer não deveria significar perder a leveza. Podemos carregar a sabedoria dos anos sem abandonar a curiosidade da infância.
Talvez o segredo de envelhecer bem não esteja apenas em cuidar do corpo e da aparência, mas também em preservar a capacidade de se surpreender, de brincar e de encontrar motivos para sorrir.
Porque as rugas aparecem, os cabelos mudam e o tempo deixa suas marcas. Mas a alegria não precisa envelhecer junto.
A mulher que sou hoje tem 64 anos. Mas a menina que mora dentro de mim continua cheia de vontade de viver.
E você, mulher, há quanto tempo não deixa a menina que existe dentro de você sair para brincar?
Marize Reges



