Por Carla Perin
@cacaperin
Halloween chegou! Entre fantasias, fotografias e muita criatividade, será que estamos percebendo como nossos animais se sentem?
Com a chegada do Halloween, as redes sociais ficam repletas de cães e gatos vestidos de abóboras, bruxinhas, vampiros e super-heróis. As imagens são divertidas, arrancam sorrisos e fazem sucesso entre os tutores. Mas existe uma pergunta que quase nunca fazemos: Para nós, uma fantasia representa brincadeira, criatividade e participação em uma comemoração. Para os animais, entretanto, aquela roupa pode representar uma experiência completamente diferente. Alguns cães estão habituados a usar roupinhas e demonstram tranquilidade. Outros podem sentir desconforto, calor, medo ou dificuldade para se movimentar. Nos gatos, a tolerância a roupas e acessórios também varia bastante. E aqui existe algo importante: um animal parado não significa necessariamente um animal confortável. Muitos tutores interpretam a imobilidade como obediência ou tranquilidade, quando ela também pode ser uma resposta ao medo ou ao estresse. Os animais se comunicam principalmente por meio do comportamento e da linguagem corporal. Um cachorro que tenta retirar a fantasia, abaixa as orelhas, coloca o rabo entre as pernas, lambe repetidamente os lábios, boceja fora de um contexto de sono ou passa a caminhar de maneira diferente pode estar demonstrando desconforto. Nos gatos, tentativas de fuga, corpo encolhido, orelhas para trás, agitação ou imobilidade incomum também merecem atenção. É importante observar o conjunto dos sinais e o contexto, porque nenhum comportamento isolado confirma necessariamente estresse. Além disso, fantasias apertadas podem dificultar os movimentos, provocar irritações na pele ou prejudicar a ventilação. Acessórios pequenos, fitas e enfeites também podem representar riscos caso sejam mastigados ou engolidos. Por isso, se o animal demonstrar desconforto, a melhor atitude é retirar a fantasia. Podemos, desde que o bem-estar deles venha primeiro. Se o animal já está acostumado a utilizar roupas, aceita tranquilamente o acessório e consegue caminhar, respirar, enxergar e se movimentar normalmente, uma fantasia leve, segura e utilizada por pouco tempo pode ser uma opção. Mas nunca devemos obrigá-lo a permanecer vestido apenas para conseguir uma fotografia bonita. E existe uma alternativa muito simples: criar um cenário de Halloween com abóboras decorativas e outros elementos seguros, deixando o animal participar naturalmente, sem precisar usar nada. Dentro das famílias multiespécie, nossos animais passaram a participar de aniversários, viagens, festas e momentos importantes da nossa vida. Isso revela o lugar afetivo que ocupam em nossas famílias. Mas existe uma diferença entre incluir um animal na nossa vida e esperar que ele se comporte como nós. Pelo olhar sistêmico, podemos refletir sobre a importância de reconhecer cada membro da família em sua individualidade, respeitando suas características e necessidades. Um cachorro não precisa gostar de fantasias para fazer parte da comemoração. Um gato não precisa aceitar acessórios para demonstrar afeto. E talvez exista uma reflexão ainda mais bonita nessa relação: Neste Halloween, antes de escolher a fantasia mais bonita, observe seu companheiro. Talvez ele adore participar. Talvez prefira apenas ficar por perto. E está tudo bem.
Porque amar também é permitir que o outro seja quem ele é — mesmo quando esse outro tem quatro patas.
Carla Perin
Médica Veterinária Sistêmica
Terapeuta Multiespécie
Um olhar sistêmico sobre o vínculo entre humanos e animais



