Por Paulo Roberto Reis
Estamos vivendo numa sociedade que exalta a busca incessante pelo equilíbrio, e relaciona o conceito de saúde mental com a capacidade de se manter equilibrado o tempo inteiro. Há uma pressão constante para que todos sejamos produtivos e positivos a todo custo. Afinal, estamos numa sociedade do hiperconsumo e da produtividade excessiva. O problema é que esse tipo de mentalidade pode criar um sofrimento psíquico significativo, além de uma série de transtornos mentais. A finalidade dessa nossa reflexão é alertar sobre as consequências de uma busca desenfreada pelo equilíbrio, e lançar luzes sobre como podemos lidar com as nossas emoções.
Se formos verificar a terminologia equilíbrio iremos encontrar várias definições. Geralmente, a conceituação está associada ao fato de uma posição estável de um corpo, sem oscilações ou desvios. Será que quando falamos sobre nossas emoções podemos aderir o fato de uma posição sempre estável, sem oscilações ou desvios? Ao nosso ver, é uma utopia. Aliás, é uma mentalidade tóxica, porque alimenta nas pessoas falsas crenças, além de um fardo muito grande, como veremos a seguir.
Toda e qualquer situação da nossa vida exige algum tipo de resposta, que dependerá do estímulo provocado. Isso significa dizer que há momentos que a nossa resposta deverá ser de forma proporcional, e não equilibrada. Para cada estímulo, uma possível resposta proporcional pode ser dada. O discurso do equilíbrio é construído a partir de uma ideia equivocada e romântica sobre a repressão ou até mesmo negação das emoções.
Recordamos que as emoções são mecanismos naturais, e cumprem papéis estratégicos para a nossa sobrevivência. Cada emoção cumpre uma determinada função na nossa vida, como refletimos com vocês num outro artigo nosso cujo o título foi Divertida Mente 2 é um alerta para a sua Saúde Mental [PORTAL SOM DE PAPO, 14 de julho de 2024]. Não existe uma emoção melhor do que a outra. E mesmo aquelas emoções chamadas de negativas, como, a raiva, o medo e a tristeza são fundamentais para a nossa adaptação. As respostas que damos aos eventos da nossa vida não são influenciadas diretamente pelas situações em si, mas pela maneira como processamos essas situações. Portanto, as emoções são reações a essas situações interpretadas por nós mesmos.
Nesse sentido, precisamos falar da regulação emocional, que é um dos conceitos utilizados pelos psicólogos. A regulação emocional compreende um conjunto de estratégias de enfrentamento utilizadas como recursos pelo indivíduo para lidar com emoções intensas e indesejadas. Em outras palavras, é a capacidade de regular as emoções tornando-as funcionais e adaptativas. Esse gerenciamento das emoções pode incluir elevados índices de determinadas emoções frente a dadas circunstâncias. Sabe aquela frase comum: “eu extravasei, mas foi preciso extravasar naquele momento”?
Mas o que significa, afinal, extravasar? Extravasar é como abrir uma válvula de escape para as emoções que, por vezes, se acumulam dentro de nós. É permitir que a raiva, a frustração, o medo ou qualquer outra emoção encontre um espaço de expressão. Daí a importância da regulação emocional, que pode acontecer de diversas formas. Seja através de atividades físicas, esportes, exercícios, expressões artísticas ou até mesmo por meio de atividades cotidianas.
Nessa esteira, a regulação emocional pode ajudar no processo de reconhecimento das emoções, identificando os fatores desencadeantes, bem como possíveis respostas adaptativas. O equilíbrio pode trazer momentaneamente algum alívio para certos desconfortos emocionais. Por outro lado, quando a pessoa busca pelo equilíbrio corre o risco de desenvolver comportamentos disfuncionais. A ideia de que devemos estar sempre em estado de calma e serenidade pode nos levar a negar ou reprimir as nossas emoções. Essa tentativa de manter uma fachada de perfeição emocional pode ser exaustiva e, a longo prazo, extremamente prejudicial à saúde mental.
Reflexão autoral de Paulo Roberto Santos Reis Soares, mestrando em Estudos de Linguagens (UNEB), graduado em Psicologia e Teologia (UCSAL), pós-graduado em Gerontologia e Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC), e pós-graduando em Neuropsicologia. Atua como psicólogo clínico, com foco na saúde mental da pessoa idosa prestando atendimento online e presencial; psicólogo das organizações e do trabalho e palestrante.
Referências
Ferreira, Walison José. REGULAÇÃO EMOCIONAL EM TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL. Pretexto Revista da Graduação em Psicologia da PUC Minas. V. 5, n.9, jan./jun. 2020. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/index.php/pretextos/article/view/24411/17098 Acesso em 01 de agosto de 2024.
IMAGEM: Autoria desconhecida. Disponível pelo Google.
Instagram: @psipaulorobertoreis




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