Por Thiago Alves Eduardo
Psicólogo
@thiagoalvespsic
Em algum momento da vida, quase todos nós já tentamos encaixar nossas atitudes, sentimentos ou escolhas no que os outros esperavam da gente. Fazemos isso para sermos aceitos, para evitar conflito ou simplesmente por medo de parecer diferentes demais. Mas, quando passamos tempo demais tentando agradar, corremos o risco de nos afastar de quem realmente somos.
Validar nossa identidade significa reconhecer o próprio valor, aceitar nossas emoções e permitir que nossa maneira de ser tenha espaço no mundo. É olhar para dentro e dizer: “Isso faz sentido para mim”. Não é egoísmo; é honestidade.
A verdade é que buscar aprovação externa é natural. Somos seres sociais, e o olhar do outro importa. O problema é quando dependemos completamente dessas opiniões para decidir como viver. Quando isso acontece, a nossa identidade fica frágil: qualquer crítica machuca mais do que deveria, e qualquer elogio vira quase uma necessidade.
Ser nós mesmos não significa nunca mudar. Identidade não é um rótulo fixo; é um processo. Mudamos com as experiências, com o tempo, com as fases da vida. A autenticidade não está em sermos sempre iguais, mas em estarmos alinhados com o que sentimos e acreditamos hoje.
E por que isso é tão importante? Porque viver de acordo com quem realmente somos traz um tipo de paz diferente. Tira o peso das performances, dos papéis forçados e do medo constante de desagradar. As relações ficam mais verdadeiras, a autoestima fica mais firme e as escolhas se tornam mais claras.
Mas como validar nossa identidade no dia a dia?
Podemos começar com pequenos gestos: ouvir o que sentimos sem nos julgar, perceber quando estamos agindo só para agradar, expressar um limite, admitir quando algo nos incomoda. Também ajuda muito estar perto de pessoas que nos acolhem e com quem não precisamos fingir.
A validação da identidade é uma coragem silenciosa: a coragem de existir como somos, mesmo sabendo que nem todo mundo vai aplaudir. E tudo bem porque, no fim das contas, viver uma vida que não combina com a gente custa muito mais caro.
Ser você é um presente que só você pode se dar. E é nele que mora a liberdade.
Referência bibliográfica:
Erikson, E. H. (1994). Identity: Youth and Crisis. W. W. Norton & Company.
Rogers, C. R. (1961). On Becoming a Person: A Therapist’s View of Psychotherapy. Houghton Mifflin.



