Por Karen Goldberg
O Carnaval não é só festa, é também uma manifestação arquitetônica efêmera que transforma os espaços públicos. Ruas, avenidas e praças mudam de função, mostrando que a arquitetura não é só construção e permanência, mas também experiência e ocupação do espaço, bem como uma instalação artística itinerante.
No Rio de Janeiro, projetado por Oscar Niemeyer, a estrutura do sambódromo molda o espetáculo, criando um percurso que valoriza o desfile do começo ao fim. Mas a mágica não acontece só ali. Tudo começa nos barracões das escolas de samba, onde a criatividade, a materialidade e a técnica se misturam para erguer alegorias gigantes, que impressionam e emocionam por seu design único.
Nas ruas, blocos e foliões mudam a lógica da cidade. Bairros ganham outro desenho, becos viram passagem, fachadas ganham novas cores e avenidas inteiras se fecham para dar lugar somente aos pedestres. O Carnaval prova que a cidade não é estática – ela se adapta à cultura e ao momento. E o mais importante, ela é feita de pessoas e para pessoas. É a hora que o urbanismo brilha em sua essência mais pura, tal qual a purpurina que se espalha por todos os lados.
Quando a festa acaba, sobra mais do que confete no chão. Fica a prova de que a arquitetura também acontece no improviso e que seu maior impacto está na experiência de quem vive e ocupa esses espaços.
Até a próxima,
Arq. Karen Goldberg
Kapa Arquitetura
@kaparquitetura



