Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
WhatsApp: (11) 91169-1479
Ela decidiu pausar.
Depois decidiu voltar.
E agora?
Ela e o marido conversaram. Avaliaram a rotina, os custos, o desejo de acompanhar mais de perto o crescimento da filha. A decisão foi tomada em conjunto: por um tempo, ela pausaria a carreira para se dedicar à maternidade.
No início, vieram sentimentos misturados. Havia a tranquilidade de estar mais presente, acompanhar os primeiros passos, construir a rotina com mais calma. Mas, junto com isso, surgiam dúvidas silenciosas sobre o futuro profissional, a identidade e o impacto dessa escolha ao longo do tempo.
A decisão de pausar a carreira pode ser vivida com alegria e, ao mesmo tempo, com insegurança. Algumas mulheres relatam sentir alívio por conseguir estar mais próximas dos filhos, enquanto outras percebem também o medo de perder espaço no mercado, a preocupação com a dependência financeira ou a sensação de distanciamento da vida profissional. Muitas vezes, esses sentimentos coexistem, sem que um anule o outro.
Com o passar do tempo, uma nova reflexão começa a surgir: o desejo de retornar ao mercado de trabalho. E, com ele, aparecem novos desafios emocionais. A culpa por “deixar” a filha, o receio sobre a adaptação, o medo de não dar conta da rotina e a insegurança profissional podem surgir de forma intensa. Algumas mulheres também relatam a sensação de estar “atrasada”, especialmente ao se compararem com colegas que seguiram na carreira durante esse período.
Além dos aspectos emocionais, existem desafios práticos. A lacuna no currículo, a necessidade de atualização profissional e a insegurança diante dos processos seletivos podem tornar esse retorno mais desafiador. Em entrevistas, nem sempre essa pausa é compreendida como uma escolha legítima, o que pode aumentar ainda mais a ansiedade e a autocrítica.
Ao mesmo tempo, é importante destacar que iniciativas têm surgido para apoiar esse retorno. Algumas empresas vêm criando programas de recolocação e vagas afirmativas para mulheres que pausaram a carreira, reconhecendo que esse período também desenvolve habilidades importantes. A maternidade pode fortalecer competências como organização, gestão do tempo, flexibilidade, priorização e tomada de decisão que são habilidades cada vez mais valorizadas no ambiente profissional.
Esse também pode ser um momento importante para o acompanhamento psicológico. A psicoterapia oferece um espaço para trabalhar medos, inseguranças e crenças que costumam surgir nesse processo, como “estou atrasada”, “não sou mais capaz” ou “não vou dar conta”. Elaborar essas emoções pode contribuir para um retorno mais seguro, respeitando o tempo e a realidade atual dessa mulher.
Retornar ao trabalho após a maternidade não significa voltar ao mesmo lugar de antes. A mulher que retorna carrega novas experiências, novas prioridades e, muitas vezes, uma nova forma de olhar para a carreira e para a vida.
A pausa não precisa ser vista como retrocesso, mas como parte de uma trajetória que continua sendo construída, com escolhas possíveis em diferentes momentos da vida.



