Por Karen Goldberg
De um lado, o silêncio visual, a paleta neutra, o ideal da paz via ausência do que é desnecessário. Do outro, cor, textura, afeto expostos em objetos e uma celebração declarada do excesso.
Mas… e a vida real nisso tudo?
A casa onde a gente vive de verdade, com brinquedo no chão, ímã de viagem na geladeira, e uma rotina que não cabe em legenda — será que ela precisa se encaixar num rótulo desses?
Minimalismo bem feito é quase poesia visual. O problema é que muita gente confunde simplicidade com vazio. E o que era pra ser refúgio, vira o típico cenário frio.
A verdade é que o minimalismo exige disciplina. É difícil manter o “menos” com vida, sem cair na monotonia ou no estéril.
Agora… existe um meio termo que me agrada muito mais: o minimalismo aconchegante.
Menos coisas, sim. Mas com alma! Texturas, luz indireta, materiais naturais, objetos com significado. Um espaço que convida a tirar os sapatos e ficar. Apenas ficar, e deixar que a mente divague e preencha tudo que é possível como num dia ocioso e contemplativo.
É o “menos vira mais”, mas com calor humano, com personalidade.
Do outro lado, o maximalismo entra como um grito de liberdade. É cor, mistura, excesso com intenção. É quem diz: “minha casa sou eu e pronto”.
Quadros, livros, coleções, objetos herdados ou achados. Tudo tem história. Tudo tem um porquê.
Só que, sem curadoria, o maximalismo vira ruído. E aí o que era pra ser afeto, vira bagunça. Tem uma linha tênue entre expressar sua personalidade e simplesmente entulhar os ambientes. E essa linha faz absolutamente TODA a diferença.
Aparece então um terceiro elemento que embaralha ainda mais essa batalha de estilos: os móveis “fofinhos”, ou *chubby design*.
Sofás arredondados, poltronas que parecem nuvens, pés de mesa roliços.
A que time eles pertencem? Minimalistas pelas formas simples e orgânicas ou maximalistas pelo volume e textura?
De verdade, tanto faz… O que importa mesmo é se eles funcionam (ou não) para você.
No fim das contas, não tem ringue. Tem escolha. E essa coisa de querer “encaixotar” um estilo é pra lá de cafona. E cansa viu, cansa mais rápido do que aquele papel de parede super colorido que você ficou na dúvida se colocava ou não e acabou perdendo a oportunidade de usar.
Estilo não é guerra. E a sua casa não precisa escolher um lado.
Ela só precisa fazer sentido pra você. Para sua rotina, seu gosto, seu momento de vida.
Talvez seu quarto seja minimalista e seu ateliê seja uma explosão de referências. E está tudo bem. Isso é casa real.
A estética vem depois da essência. E o que eu defendo SEMPRE é que sua casa reflita quem você é, não o que o Instagram espera ver.
E aí, como é na sua casa? Você pegou o pacotinho do estilo pronto ou foi construindo a sua própria história?
Até a próxima.
Arq. Karen Goldberg
@kaparquitetura
Karen Goldberg é arquiteta e urbanista formada pela PUC-Rio desde 2009. À frente da Kapa Arquitetura, seu trabalho é ajudar pessoas a viverem em espaços com significado — unindo estética, identidade e propósito em cada projeto.
Créditos da imagem:
Foto da esquerda: www.codexhome.com.br
Foto da direita: www.entreposto.com.br



