Por Jamile Falcão
O coronavírus é um novo vírus contagioso e ainda há muito a ser descoberto sobre ele. O que será que as crianças estão achando daquilo que ninguém entendeu ainda?
As crianças são muito perceptivas e tendem a se valer das emoções de seus pensamentos, elas visualizam o vírus de diversas maneiras, ele pode ser colorido, verde, ter duas cabeças, cara de mau, o fato é que o coronavírus está presente com força no imaginário das crianças, e agora aparece frequentemente nos desenhos delas que por muitas vezes são bolotas com espetos saindo de sua circunferência, essa imagem está tomando o lugar dos monstros debaixo da cama. Será que esses desenhos nos ajudam a compreender a pergunta valiosa que se fazem os pedagogos e psicólogos? O que as crianças estão achando da pandemia? Será que estão tão angustiadas quanto nós, adultos?
Sim, as crianças estão bem sentida com todo esse cenário pandêmico em que estamos vivendo, se nem todas vivem a quarentena do mesmo jeito, há pelo menos um denominador comum: estão longe da escola. E esse fator está afetando diretamente quase se não todas as crianças, pois estão longes de seus amigos de escolas, seus professores, ou seja a sua rotina diária, com as aulas interrompidas e a ausência da escola como primeiro espaço de socialização e aprendizagem, as referências de conduta das crianças não estão mais nos educadores e nos colegas, mas concentradas nas famílias que vivem com elas sob o mesmo teto.
Não sabemos quando iremos rever toda a família, os amigos, o parque do bairro, e são justamente essas (entre outras) as perguntas não só das crianças, mas também dos adultos. Perceber e acolher as dores das crianças é papel dos adultos, e muitas vezes sinônimo de lembrar que elas são seres em formação que nem sempre sabem comunicar como e por que sofrem. A transparência sobre a crise é o primeiro passo, dizer que está tudo bem não é a realidade, e falar sobre o que está lhe incomodando alivia as tensões, é muito importante conversar com as crianças sobre o momento atual de uma forma que elas possam compreender, conforme a idade de cada uma e quando elas mostrarem seus sentimentos é fundamental a conversa, sem deixar perder a oportunidade.
Então, acho válido que os pais e/ou responsável se observem e se fortaleçam, para poder transmitir para a criança tanto a preocupação necessária diante da pandemia (para que ela não se coloque em risco e entenda a necessidade do isolamento social), quanto o reasseguramento de que ela está sendo cuidada (novamente ressaltando a importância do isolamento social). Para conseguir fazer isso com a criança, é preciso que o adulto faça consigo mesmo. Ou seja, a melhor forma de cuidar da criança é cuidando primeiramente de si mesmo. Vale lembrar que cada criança é única, e cada uma vai ter o seu jeito individual de lidar e de manifestar seu sofrimento. Antes de mais nada, é importante que os pais estejam atentos a sinais já conhecidos de que algo não está bem, baseados no comportamento prévio de seus filhos.
Por fim, as crianças aprendem por modelo e tendem a espelhar o comportamento de seus cuidadores. Quero dizer, se eles estiverem mais disponíveis, mais abertos a conversar sobre emoções, a desacelerar, a brincar com os filhos mais demoradamente, a tendência é que a criança replique este comportamento. Fica a dica para você caro leitor que é pai, mãe, tio, madrinha, enfim, que tem uma criança que ama e zela por ela.
Forte abraço.
Até segunda-feira que vem!



Sou mãe de uma menino de 11 anos e logo no início da pandemia, eu e o pai, conversamos com ele, explicamos o que era a quarentena, o que estava acontecendo no mundo todo… Foi muito importante manter a rotina do horário da escola, deixamos claro para ele que não eram férias, que o estudo mesmo sendo a distância ele levaria com a mesma seriedade. Graças a Deus estou trabalhando em casa, estou acompanhado o estudo dele de perto, aprendendo a ser além de mãe, professora, coleguinha de sala, amiga…estamos nos redefinindo aprendendo um com o outro. Como a rotina dele antes já era basicamente casa/ escola, ele não sentiu tanto. Mas estamos sempre atentos ao comportamento dele, ação e reação no dia-a-dia. Muito pertinente essa temática, parabéns!!!