Por Karen Goldberg
Este artigo aborda o impacto de Lina Bo Bardi e Rosa Kliass na arquitetura e no paisagismo brasileiros, destacando a importância da representatividade feminina. Com a chegada do Dia Internacional da Mulher, refletimos sobre como suas contribuições ajudaram a redefinir os espaços urbanos e culturais, influenciando gerações de profissionais e reafirmando o papel essencial das mulheres na construção de cidades mais humanas e democráticas.
O Dia Internacional da Mulher é uma oportunidade para reconhecer a trajetória e os desafios enfrentados por mulheres em diferentes áreas. Na arquitetura e no paisagismo, um campo historicamente dominado por homens, figuras como Lina Bo Bardi e Rosa Kliass abriram caminhos e deixaram legados que vão além de suas obras. A influência dessas profissionais na transformação dos espaços públicos e culturais demonstra a importância de uma abordagem sensível e inovadora na arquitetura.
Lina Bo Bardi (1914-1992) foi uma arquiteta italo-brasileira cujo trabalho se destacou pela busca de uma arquitetura acessível e integrada à cultura popular. Entre suas principais obras está o icônico MASP, um marco modernista que valoriza o espaço urbano e democratiza o acesso à arte. E também o SESC Pompéia, por sua estética brutalista e de forte apelo social. Não atoa, o SESC foi eleito a sexta melhor construção do mundo pelo jornal britânico The Guardian. Lina defendia que a arquitetura deveria servir às pessoas, promovendo interação e pertencimento.
Rosa Grena Kliass (n. 1932) é uma das mais importantes paisagistas do Brasil, com uma atuação fundamental na requalificação de espaços urbanos. Seu trabalho à frente do Plano de Reestruturação do Vale do Anhangabaú, em São Paulo, exemplifica seu compromisso com a humanização das cidades. Kliass foi pioneira na inclusão de aspectos sociais e ambientais no paisagismo urbano, defendendo que a cidade deve ser um espaço de convivência e bem-estar. Sua contribuição também se estende à formação de novos profissionais, fortalecendo a presença feminina na área.
A atuação dessas duas incríveis mulheres, ambas visionárias e vanguardistas, reforça a importância da presença feminina na arquitetura e no paisagismo, não só no Brasil, mas no mundo! Suas contribuições vão além das formas e materiais, promovendo espaços que dialogam com a sociedade e suas necessidades.
Neste Dia Internacional da Mulher, é essencial reconhecer esses legados e continuar incentivando a presença feminina no desenvolvimento das cidades, garantindo que o olhar e a experiência das mulheres sejam parte integrante da construção do futuro urbano que reforce a interação da população e a inclusão.
Referências
BO BARDI, Lina. “Tempos de Grossura: O Design no Impasse”. Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1994.
KLIASS, Rosa. “Paisagismo e Urbanidade”. Romano Guerra, 2011.
FRAMPTON, Kenneth. “História Crítica da Arquitetura Moderna”. Martins Fontes, 1997.
Até a próxima,
Arq. Karen Goldberg
Kapa Arquitetura
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