Por Thiago Alves Eduardo – Psicólogo
@thiagoalvespsic
Desde a infância, aprendemos, muitas vezes de forma implícita, a colocar as necessidades dos outros à frente das nossas próprias. Com frequência, somos levados a situações onde nossa vontade ou opinião é deixada de lado em prol do bem-estar alheio. Exemplos disso são comuns, como quando somos incentivados a:
“Deixe ele brincar com o seu brinquedo por mais tempo.”
“Vá lá conversar com aquela pessoa.”
“Você não pode ficar bravo por isso.”
Essas experiências, aparentemente inofensivas, vão moldando a forma como vemos nossas próprias vontades e limites. Com o tempo, internalizamos a ideia de que nossas necessidades só podem ser atendidas se não causarem desconforto ou insatisfação no outro. Esse processo de aprendizagem durante a infância pode gerar adultos com sérias dificuldades em estabelecer limites e, consequentemente, em dizer “não”.
O “não”, apesar de ser uma palavra comum em nosso vocabulário, muitas vezes é subestimada em sua importância. Em muitos casos, o ato de recusar algo é visto como uma forma de ser rude ou egoísta. No entanto, a capacidade de dizer “não” é fundamental para a preservação da saúde emocional e mental. Pergunte a si mesmo: quando foi a última vez que você disse “não”? Você se lembra? O que te motivou a tomar essa decisão? E, mais importante ainda, qual foi a relevância desse “não” para sua vida?
Essa reflexão nos leva a outro questionamento: qual foi a última vez em que você gostaria de ter dito “não”, mas teve dificuldade? Quais foram os impactos dessa dificuldade em sua vida? Espero que você tenha dificuldade em encontrar situações como essas.
O “não” é uma palavra afirmativa poderosa que precisa ser reconhecida em sua importância.
Quando dizemos “não” para os outros, estamos, simultaneamente, dizendo “sim” para nós mesmos. Isso pode ser visto, por exemplo, nas seguintes situações:
“Eu não vou àquela festa.”
(Você está dizendo “sim” para suas preferências e necessidades pessoais.)
“Eu não aceito ser tratado dessa forma.”
(Você está dizendo “sim” para seu autocuidado e respeito próprio.)
Esses exemplos ilustram como o “não” se torna um importante mecanismo de proteção da nossa saúde emocional, física e mental. Ao impor limites, estamos cuidando de nosso bem-estar. Quando, por algum motivo, não conseguimos estabelecer esses limites, podemos sofrer com a invasão de nossos espaços e necessidades, o que gera impactos negativos em nossa saúde psicológica.
É natural sentir dúvida ao decidir se devemos ou não reforçar um limite com um “não”. Se esse for o seu caso, faça as seguintes perguntas a si mesmo:
Por que eu quero dizer “não”?
O que pode acontecer se eu não me posicionar?
Como vou me sentir caso eu aceite o que não quero?
Lembre-se de que ninguém viverá as consequências das suas escolhas por você. Agradar os outros em detrimento de si mesmo não é um ato de gentileza, mas sim uma forma de crueldade consigo próprio (Goleman, 2006). Por mais difícil que seja no início, é fundamental aprender a se colocar em primeiro lugar. Ao fazer isso, é possível viver com mais equilíbrio emocional, sem culpa, sem medo e sem a necessidade de justificar suas decisões.
Dizer “não” não requer explicações excessivas. O simples fato de afirmar “não, eu não vou”, “não, eu não quero” ou “não, eu não posso” é o suficiente.
Ao dizer “sim” para os outros sem querer, você está, de fato, dizendo “não” para si mesmo.
Busque ajuda sempre que sentir que o sim está sendo mais presente do que deveria em sua vida e está te impedindo de impor limites e resguardar seu bem estar, se quiser saber mais sobre esse tema ou conversar, você pode me encontrar nas redes sociais será um prazer te ouvir e acolher suas dúvidas e te ajudar a ter a coragem para viver uma vida mais leve e com qualidade.
Referências Bibliográficas
GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006.
SILVA, Maria Lúcia. A Psicologia dos Limites: Como Definir e Manter Fronteiras Saudáveis. São Paulo: Editora PsicoBem, 2015.



