Por Rony Cysney
Morreu, nesta quinta-feira (3), aos 97 anos, o dono de uma das vozes mais marcantes da televisão brasileira, principalmente na área jornalística, Cid Moreira. Ele estava internado há 30 dias, para tratamento de insuficiência renal, doença que já o acompanhava por alguns anos, no hospital Santa Tereza, na cidade de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, cidade onde vivia e amava muito. Cid morreu de mãos dadas com sua esposa Fátima Sampaio, de falência dos múltiplos órgãos, lúcido e consciente. Seu corpo foi enterrado ontem (sábado, 06/10) no mesmo cemitério onde estão enterrados sua primeira esposa, uma das filhas e um neto, em Taubaté, cidade onde nasceu, no estado de São Paulo.

Somente no Jornal Nacional, primeiro telejornal transmitido em cadeia, no Brasil, onde estreou em 1969, foram pronunciados mais de 8 mil “Boa-Noite” por Cid Moreira, no encerramento do jornal, que ele fazia ao lado de Sérgio Chapellin, dividindo a bancada por 26 anos. Paralelamente, Cid trabalhou no Fantástico, desde 1973, revezando cm outros apresentadores. Já em 1999, estreou o quadro Mister M, entrevistando o mágico e ilusionista no ano seguinte, quando ele veio ao Brasil. Sua voz ficaria marcada pra sempre neste quadro. Já em 2011, realizou o desejo de gravar toda a Bíblia na íntegra, trabalho que durou alguns anos e resultou em campeão de vendas.

A VOZ, A SIMPATIA E A SIMPLICIDADE
Sempre que dava entrevista, passava uma simpatia e um jeito simples de agir e se comportar diante dos seus colegas de trabalho e de seu público.
Em 2010 foi lançada a biografia “Boa Noite – Cid Moreira, a Grande Voz da Comunicação do Brasil”, escrita por sua esposa, Fátima Sampaio Moreira. Durante a Copa do Mundo daquele ano, ele gravou a famosa vinheta “Jabulaaani!” para a cobertura do “Fantástico” e programas esportivos da Globo, adicionando mais um capítulo à sua ilustre carreira jornalística e de comunicador.
Eu lembro que, quando criança, brincava com meu irmão, sentado em frente ao grande espelho da penteadeira que tinha no quarto da minha mãe. Eu era o Cid Moreira e meu irmão Sérgio Chapellin, cheio de papéis nas mãos, lendo as notícias e imitando-os. O detalhe é que também nos arrumávamos todo, colocando a melhor roupa que tínhamos. Passávamos horas brincando, até que eu cansava, dava “Boa-noite” aos imaginários telespectadores e ia dormir, após assistir o Jornal Nacional de verdade. Sim, sempre assistia com meu pai, que nos mandava pra cama, após o tão famoso e inesquecível “Boa-noite”.
Meus sentimentos e abraços a toda família.
Por Rony Cysney
Fonte das fotos e pesquisa: g1.globo.com / www.metropoles.com



