Por José Carlos da Cruz
Professor, Psicólogo – psicologia analítica (Jung)
Quando falamos de identidade, vem duas imagens imediatamente nas mentes, um número (RG) e a imagem da figura de si mesmo, no entanto, nenhuma delas definem quem a pessoa é; porque a identidade está além destes dois elementos, está afixada na essência do ser.
A identidade precede a consciência do eu (Jung) isso significa que é construída desde a infância; a princípio, o ser está intimamente atrelado aos seus genitores; sob a influência dos pais, reproduzi comportamentos, falas e tudo que aprende por observação, mas logo, começa a romper com padrões estabelecidos nessa relação, para expandir o seu ser em outras atmosferas.
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Essa expansão atmosférica impacta o desenvolvimento da identidade, pois é construída primordialmente nas relações interpessoais, o que outrora era uma construção familiar, agora, passa pela influência de outros, o que leva a o indivíduo a agregar novas crenças, valores, desenvolvendo novas perspectivas para si mesmo.
A identidade pessoal, está baseada no reconhecer continuamente a si mesmo em diversas situações e no perceber o reconhecimento dos outros desta continuidade, apesar que, quanto mais desenvolvida, menos o indivíduo vai precisar da validação ou aprovação dos outros, e esse processo se dá, na esfera intrapessoal.
A sua construção tem na adolescência sua maior expressão e o processo consolida-se na individuação, que nada mais é, do que o encontro com o self, o que, por vias de regras, acontece na fase adulta, este é o lugar onde os temores reprimidos pelo medo ou por outros sentimentos, perdem sua força apelativa e punitiva sobre o ser do indivíduo.
A identidade é dinâmica, se molda para adaptar-se criativamente as mudanças, se apossando das personas, que a sociedade requer para cada ambiente, no entanto, se reserva do direito de manter o alicerce, sob o qual tem sido construída, e ao conectar-se com os fenômenos da vida, dá sentido e significado para a existência.
O problema é, se não acontecer o desenvolvimento da persona, que é a integração das experiencias durante o processo da maturação física, neste momento a identidade sofrerá com as muitas mutações que é exigido socialmente do adulto, fazendo deste adulto, um Puer aeternus.
Enfim, a identidade é muito mais do que como a pessoa se identifica ou é identificada, é a consciência do si mesmo, de seus papeis no mundo, de como se projeta nos desafios, é uma construção que pode perdurar por toda vida, que deve ser continua e continuada.
Fonte da Imagem: www.pinterest.com.br
(C.G.Jung 1875-1961) O desenvolvimento da personalidade – Edição integral Título do original: “Über die entwicklung der persönlichkeit” Tradução: Frei Valdemar do Amaral Revisão técnica: Dora Ferreira da Silva ISBN 85-332-0813-8
SCHOEN-FERREIRA, T. H.; AZNAR-FARIAS, M.; SILVARES, E. F. DE M.. A construção da identidade em adolescentes: um estudo exploratório. Estudos de Psicologia (Natal), v. 8, n. 1, p. 107–115, jan. 2003.
ANDRADE, C.. A construção da Identidade, Auto-conceito e Autonomia em Adultos Emergentes. Psicologia Escolar e Educacional, v. 20, n. 1, p. 137–146, jan. 2016.



