Por Paula Silveira
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No dia 23 de fevereiro, eu e Drica embarcamos rumo a Lima, no Peru, para participar do XI ELAN – Encontro Latino-Americano de Naturismo. Para contextualizar, sou presidente da FBrN (Federação Brasileira de Naturismo) e Drica Parreira é presidente do Conselho Maior e conselheira da região Sudeste da entidade. Nosso trabalho é voluntário, e toda a viagem foi custeada por nós — sem qualquer financiamento da Federação.
Ao chegar em Lima, seguimos diretamente para o bairro de Miraflores, onde encontramos amigos brasileiros que já estavam na cidade. Logo no primeiro dia, fomos contemplar o pôr do sol no shopping Larcomar, um dos cartões-postais locais.

Até o dia 25, exploramos a cidade, mergulhando em sua cultura, gastronomia e rotina urbana. O trânsito de Lima chama atenção: caótico, barulhento e com regras bastante flexíveis. Buzinas constantes, cruzamentos confusos e poucos semáforos tornam a experiência intensa. O transporte público também exige adaptação — as tarifas variam conforme o trajeto e precisam ser combinadas com o cobrador. Ainda assim, há opções mais práticas, como aplicativos de transporte e o metrobús, que circula em corredores exclusivos.

No dia 26, iniciamos nossa jornada rumo a Cieneguilla, onde aconteceu o XI ELAN. Antes, fizemos uma parada nas ruínas de Pachacamac, um importante sítio arqueológico que abriga vestígios da cultura Ychsma e o imponente Templo do Sol Inca. Foram cerca de 6 km de caminhada por um cenário histórico fascinante.
A abertura do evento foi marcada por um episódio inesperado: um sismo de magnitude 5.0 — nosso primeiro tremor de terra. Após as orientações de segurança, evacuamos o local rapidamente, mas em poucos minutos tudo já estava sob controle e a programação foi retomada. Alguns brindaram com pisco; eu, como não consumo álcool, celebrei com uma boa e velha Coca-Cola.

Nos dias seguintes, o encontro promoveu fóruns e debates sobre o naturismo na América Latina e no mundo, reunindo participantes do Peru, Chile, Colômbia, México, Europa, Canadá, Estados Unidos e, claro, do Brasil — que formou a maior comitiva estrangeira. Entre os temas discutidos estiveram os desafios, avanços e experiências do naturismo em diferentes países, além de reflexões sobre liderança e práticas no movimento.
O evento contou ainda com a presença do presidente da INF-FNI (Federação Internacional de Naturismo), Stéphane Deschênes, e sua esposa Linda, ambos do Canadá.
A estrutura que nos acolheu era encantadora: duas casas, piscinas, amplo gramado e árvores frutíferas como manga, abacate, graviola e lúcuma, tudo cercado por montanhas e repleto de pássaros. Um verdadeiro refúgio natural.
A programação incluiu atividades como yoga naturista, meditação, pintura corporal e jogos diversos — de vôlei, frescobol, pebolim (totó), jogo do sapo e claro que não podia faltar o jogo de baralho e karaokê. Mais do que lazer, foram momentos de conexão, troca e integração entre participantes de diferentes culturas.

Em meio a esse cenário exuberante, vivenciamos o naturismo em sua essência: respeito, liberdade e convivência harmoniosa com todos. As reuniões aconteceram ao ar livre, no gramado, sob as árvores, embaladas pelo som dos pássaros — uma experiência profundamente enriquecedora.
Após o encerramento, retornamos a Lima para mais alguns dias de passeio. Não poderíamos deixar de conhecer uma praia frequentada por naturistas locais. Nosso amigo peruano Victor nos levou até Puerto Bonito, em Puerto Viejo.

Ali, em meio a formações rochosas impressionantes e uma natureza preservada, vivemos mais um momento único. A praia, de areia escura e águas frias do Pacífico, abriga diversas espécies de aves, como o pirupiru e o piquero, além de crustáceos vermelhos vibrantes como o caranguejo-das-rochas. Mesmo com a temperatura baixa, não resistimos a um mergulho.
Encerramos o dia com um delicioso almoço na barraca do Sabino, na praia de El Silencio.
Experiências como essa mostram como o naturismo vai além da prática — é um estilo de vida que proporciona conexão, liberdade e encontros inesquecíveis.
Paula Silveira é presidente da FBrN – Federação Brasileira de Naturismo, desde 2021 e presidente da associação SPNAT – Naturistas da Grande São Paulo desde 2020.É naturista desde 1997 e é integrante da CLANAT – Comissão Latino-Americana de Naturismo, foi Conselheira Maior da Região Sudeste de 2017 a 2020. Representou o Brasil no Congresso Mundial de Naturismo do México em 2024, no ELAN – Encontro Latino-Americano de Naturismo na Colômbia em 2022 e no Equador em 2020.
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