Por Jéssica Monteiro Lima
@ psicologa_jessicamonteirolima
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Ela olhava para seu bebê e chorava
Ela sentia uma tristeza profunda e se culpava
Ela desejou tanto ser mãe e não se sentia capaz
Ela se sentia muito medo de não conseguir cuidar do seu bebê
As pessoas em sua volta sabiam que algo não parecia certo com essa mulher que acabou de se tornar mãe
Na coluna de hoje vamos falar de mais um tema sugerido por vocês, recebi uma dúvida de uma leitora referente ao tema de depressão pós-parto, o início é mesmo após o nascimento do bebê?
Quando falamos em depressão pós-parto, é comum imaginar que esse sofrimento começa apenas após o nascimento do bebê. No entanto, hoje já se utiliza o termo depressão perinatal para ampliar esse olhar, considerando episódios depressivos que podem surgir ainda durante a gestação e se estender até o primeiro ano após o parto. Essa compreensão ajuda a reforçar a importância de cuidar da saúde mental da mulher durante a gestação e no pós-parto.
No Brasil, estudos indicam que aproximadamente 14% das mulheres apresentam sintomas de depressão no período pós-parto, não se trata de uma experiência rara. Esses dados mostram o quanto é importante falar sobre o tema, identificar sinais precocemente e oferecer acolhimento às mulheres que vivenciam esse momento.
Estudos também indicam que a presença de sintomas depressivos durante a gestação é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da depressão após o parto. Isso reforça a necessidade de olhar com atenção para o emocional da mulher desde a gravidez, compreendendo que o cuidado preventivo pode fazer diferença na forma como ela vivencia o pós-parto.
Apesar de ser um tema cada vez mais discutido, ainda existem muitas dúvidas, medos e até silêncios em torno dessa experiência. Muitas mulheres passam por esse período sem saber exatamente o que estão sentindo e, principalmente, sem entender que podem precisar de ajuda.
Um dos mitos mais comuns é acreditar que toda mulher com depressão pós-parto rejeita o seu bebê. Na realidade, muitas mães continuam cuidando, protegendo e se dedicando, mas fazem isso enquanto lidam com tristeza, cansaço extremo e sentimentos de inadequação. O sofrimento não significa ausência de amor, mas dificuldade emocional em um período de grande vulnerabilidade.
É importante diferenciar a depressão perinatal do baby blues, que atinge a maioria das mulheres nos primeiros dias após o parto, com sintomas como choro fácil, sensibilidade e irritabilidade, e que tende a desaparecer em algumas semanas, já a depressão apresenta sintomas mais intensos e persistentes e exigi acompanhamento profissional.
Durante a gravidez, alguns sinais que merecem atenção incluem tristeza persistente, ansiedade excessiva, preocupação constante com a gestação, sensação de incapacidade, dificuldade de se conectar com a gravidez, irritabilidade frequente, alterações importantes no sono, cansaço intenso e perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas.
Já no pós-parto, além do cansaço esperado com a chegada do bebê, é importante observar quando sentimentos como tristeza, desânimo, culpa excessiva ou sensação de sobrecarga se tornam constantes e começam a impactar o dia a dia. Dificuldade de se sentir confiante no cuidado com o bebê, isolamento, choro frequente, ansiedade intensa e sensação de não dar conta também são sinais que merecem atenção.
Para a própria mulher, um sinal importante é perceber quando esses sentimentos persistem, se intensificam ou tornam tarefas cotidianas mais difíceis.
Para a família e pessoas próximas, vale observar mudanças significativas de humor, afastamento social, falta de energia, fala negativa sobre si mesma ou sensação de incapacidade constante.
Já os profissionais de saúde que acompanham essa mulher podem estar atentos a sinais emocionais durante as consultas. Identificar precocemente permite que a mulher receba acolhimento e acompanhamento especializado quando necessário, contribuindo para um cuidado mais individualizado neste período.
Na prática clínica eu ofereço o pré-natal psicológico, uma proposta de cuidado emocional durante a gestação, oferecendo acolhimento, orientação e espaço para trabalhar expectativas, medos, preocupações e mudanças dessa fase.
Esse tipo de acompanhamento pode contribuir para uma vivência mais consciente da gestação e preparação emocional para o pós-parto.
Gostou do tema de hoje? Compartilhe esse conhecimento importante no cuidado da saúde mental materna.



