Por Poetisa Thaisy Moraes
Às seis horas da manhã, a catedral já acordou. Os sinos tocam os sonhos ou os pesadelos daqueles que dormem. O susto acompanha o toque vibrante e o dia amanhece nas mentes alertas. Vida corrida, barulhenta e automática. Tomar banho, arrumar-se, um café para acordar os pensamentos mal dormidos.
Um dia a mais, um dia a menos. Quem consegue prever o fim do amanhecer? O que pode impulsionar a mudança de atitude, a vontade de ser melhor, de ser maior e mais humano? Quem será capaz de viver com propósito? De descobrir a sua missão? Mais além: será que há tempo hábil para todos?
De fato, essa questão engloba muito mais do que fazer um bom trabalho de viver dentro das leis e da moralidade. Por outro lado, exige olhar para dentro e buscar conhecer os seus tesouros. Certamente, talvez seja mais simples do que pareça, mas a nossa grande capacidade de tornar complexo o viver esteja nos deixando cegos diante da simplicidade que a vida nos exige, a que a vida nos expõe. Problematizamos soluções como quem troca de roupas. Decidimos correr em vez de respirar e raciocinar, como se essa atitude fosse salvar o dia. Não olhamos para dentro de nós e tampouco ao lado sentindo empatia.
Ao final da tarde, o sino tocará, novamente, para lembrá-lo do Ângelus. A oração deste dilúculo finalizará um dia a mais ou um dia a menos? Pode ser que a virtude caminhe de mãos dadas com a bondade. Pode ser que o propósito seja mais simples de ser encontrado quando se olha para dentro de si e se identifica o que o mundo precisa e você tem de sobra.
Por Poetisa Thaisy Moraes
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