Por Paula Silveira
Autores: Raphael Lemos
Advogado, graduado pelo Mackenzie,
especialista em direito imaterial
e propriedade intelectual,
praticante de naturismo desde 2025
@fbrn_oficial
Se você perguntar a dez pessoas o que é naturismo, provavelmente receberá dez respostas diferentes.
Algumas dirão que se trata apenas de ficar nu. Outras associarão a prática à liberdade, à conexão com a natureza ou à aceitação do próprio corpo. Não é raro, porém, encontrar quem relacione o naturismo a comportamentos sexuais, troca de casais ou outras atividades que nada têm a ver com sua proposta original.
Talvez por isso seja importante esclarecer uma questão fundamental: para compreender o que é naturismo, é preciso primeiro entender o que ele não é.
O naturismo é uma filosofia de vida baseada na prática da nudez social em ambientes apropriados, associada ao respeito por si mesmo, pelos outros e pela natureza. Mais do que a ausência de roupas, o naturismo propõe uma convivência humana mais simples, mais autêntica e menos baseada em aparências.

Embora a nudez seja um elemento presente, ela não constitui o objetivo da prática. Quem observa de fora muitas vezes imagina que um ambiente naturista gira em torno dos corpos. Na realidade, ocorre justamente o contrário. Após os primeiros momentos, a nudez perde relevância e as pessoas passam a interagir da mesma forma que fariam em qualquer outro espaço de convivência: conversam, caminham, praticam esportes, compartilham refeições, fazem amizades e desfrutam da companhia umas das outras.
É justamente essa naturalidade que costuma surpreender quem conhece o naturismo pela primeira vez.

Ao longo dos anos, porém, surgiu um fenômeno que acabou gerando confusão para muitas pessoas que buscam informações sobre o tema. Em pesquisas na internet ou nas redes sociais, não é incomum encontrar grupos que utilizam expressões como “naturismo liberal” para divulgar encontros e atividades.
À primeira vista, alguém que não conhece o movimento pode acreditar que se trata apenas de uma vertente do naturismo. No entanto, essa associação é equivocada.
O naturismo organizado, representado por entidades nacionais e internacionais, possui princípios e códigos de ética bastante claros. Entre eles está justamente a compreensão de que a nudez social não possui finalidade sexual. O foco está na convivência, no respeito mútuo, na igualdade entre as pessoas e na aceitação da diversidade humana.

Isso não significa que o naturismo seja contrário à sexualidade. Afinal, sexualidade é uma dimensão natural da vida humana. Significa apenas que os espaços naturistas não existem para essa finalidade, da mesma forma que um parque, uma praça ou um clube social também não são concebidos como ambientes destinados à prática de atividades sexuais.
Por essa razão, grupos que promovem encontros voltados para troca de casais, práticas sexuais coletivas ou outras formas de relacionamento íntimo estão desenvolvendo atividades distintas daquelas tradicionalmente associadas ao naturismo. Independentemente da forma como cada pessoa enxerga ou escolhe viver essas experiências, elas pertencem a outro contexto e não devem ser confundidas com a filosofia naturista.
Essa distinção é importante porque muitos iniciantes acabam tendo seu primeiro contato com informações equivocadas. Algumas pessoas chegam ao naturismo carregando receios que nasceram justamente dessa confusão. Imaginam que serão expostas a situações constrangedoras, que haverá algum tipo de pressão social ou que o ambiente terá uma conotação sexual. Quando finalmente visitam um espaço naturista sério e comprometido com os princípios do movimento, descobrem uma realidade completamente diferente.
Descobrem famílias convivendo juntas.
Descobrem crianças brincando com naturalidade.
Descobrem pessoas de diferentes idades, profissões, crenças e histórias compartilhando o mesmo espaço de forma respeitosa.
Descobrem, sobretudo, que o naturismo não gira em torno do corpo perfeito, da aparência física ou da sexualidade. Ele gira em torno da convivência humana.
No Brasil, essa preocupação com a preservação dos valores naturistas é levada tão a sério que o termo “Naturismo” constitui marca registrada da Federação Brasileira de Naturismo. A entidade atua na promoção dos princípios naturistas e na observância de um código de ética que orienta o funcionamento de clubes, associações e espaços vinculados ao movimento.
Para quem tem curiosidade sobre o tema, talvez a recomendação mais importante seja buscar informações em fontes confiáveis e conhecer grupos comprometidos com esses princípios. Essa simples cautela pode evitar equívocos e proporcionar uma experiência muito mais próxima daquilo que o naturismo realmente propõe.
No final das contas, o naturismo não é sobre exibição, provocação ou sexualidade. Também não é sobre corpos perfeitos ou padrões de beleza.
O naturismo é, antes de tudo, um convite à naturalidade.
Um convite para descobrir que, quando deixamos de enxergar as pessoas através das roupas, dos títulos, das aparências e dos julgamentos, talvez nos aproximemos um pouco mais daquilo que realmente somos.
Conheça mais sobre a Federação Brasileira de Naturismo pelo site www.fbrn.org.br.
*Paula Silveira é presidente da FBrN – Federação Brasileira de Naturismo, desde 2021 e presidente da associação SPNAT – Naturistas da Grande São Paulo desde 2020. É naturista desde 1997 e é representa o Brasil na CLANAT – Comissão Latino-Americana de Naturismo, foi Conselheira Maior da Região Sudeste de 2017 a 2020. Representou o Brasil no Congresso Mundial de Naturismo do México em 2024, no ELAN – Encontro Latino-Americano de Naturismo no Peru em 2026, Colômbia em 2022 e no Equador em 2020.



