Por Daniela Gurgel
@danigurgel.psicana8listaigsh
Até onde vale a pena se diminuir para caber no mundo de alguém?
A pergunta parece ser simples de se responder, mas carrega muito significado e relevância.
As relações sociais e até mesmo familiares muita das vezes nos obriga a adotarmos comportamentos onde possamos estar sempre disponíveis e a serviço do outro. E aí começa o processo de desconexão interior, sustentados por moldes que nem sempre combinam conosco, mas que adotamos com o objetivo de nos sentirmos amados, aceitos ou simplesmente acompanhados, mesmo que seja só fisicamente.
Para encaixar no espaço do outro, começamos a nos silenciar. Evitamos conflitos, paramos de demonstrar nossos desejos e simplesmente vamos nos anulando ao ponto de não saber mais quem somos para não desagradar o outro. A busca pelo reconhecimento e o pertencimento, passa a ser constante ao ponto de sentirmos necessidade de nos adaptarmos o tempo todo.
Mas em que ponto a concessão se transforma em anulação? Para a psicanálise há uma grande diferença entre ceder e se anular. Quando para ser aceito depende de você deixar de ser quem é, o sofrimento começa a se instalar gerando assim um custo psíquico, um desgaste emocional.
Quando você começa a se diminuir para caber no mundo de alguém, mostra que há algo na relação, que não está em harmonia.
Para a psicanálise não há necessidade de romper com o outro para que você volte a ser quem você é, mas se posicionar de forma autônoma saindo de um espaço de adaptação para um espaço de presença é fundamental.
A confiança e a coragem de ser autêntico, são bases para o amor- próprio e a aceitação. Quem realmente escolhe caminhar ao seu lado não vai exigir versões reduzidas de você, mas reconhece e admira sua essência por inteiro. Os vínculos não devem ser espaços de anulação, mas sim de parceria e crescimento.
Busque estar com quem te fortalece e te estimula a crescer cada vez mais, te encorajando a existir de verdade.
A vida é curta demais para você ficar se encolhendo para existir!



