Por Simone Baptista
Advogada Previdenciarista • Mentora de Advogados • Especialista em Advocacia Exponencial
Existe uma crença muito enraizada na advocacia: a de que o sucesso vem naturalmente para quem domina a técnica. Passe no exame da OAB, estude muito e os clientes aparecerão. Mas a realidade do mercado jurídico atual está mostrando que essa equação, sozinha, não fecha.
A formação que não ensina o mercado
Durante décadas, consolidou-se no imaginário jurídico a ideia de que a excelência técnica seria o único passaporte para o crescimento. As faculdades de Direito fazem um bom trabalho no ensino da dogmática jurídica — legislação, doutrina, jurisprudência. Mas deixam uma lacuna enorme quando o assunto é mercado.
A grande maioria dos cursos de Direito ainda não oferece nada sobre:
como gerir um escritório
como se posicionar profissionalmente
como comunicar valor ao cliente
como construir autoridade digital
como desenvolver inteligência comercial com ética
O resultado? Advogados altamente capacitados que chegam ao mercado sem saber como se tornar visíveis — e, pior, sem perceber que essa é a questão central.
“Competência técnica isolada já não representa diferencial absoluto num mercado com mais advogados por habitante do que quase qualquer outro país do mundo.”
O mito da falta de clientes
Pergunte a qualquer advogado que está estagnado qual é o problema e há uma boa chance de ouvir: “faltam clientes”. É o discurso mais recorrente da advocacia.
Mas ao olhar o mercado com mais cuidado, a demanda jurídica segue elevada. Em praticamente todas as áreas do Direito, há pessoas com problemas que precisam de solução. O que falta, na maioria dos casos, não é cliente — é posicionamento claro para atraí-lo.
O consumidor jurídico contemporâneo não busca só técnica. Ele quer:
confiança
clareza
autoridade percebida
experiência no atendimento
um profissional que ele entenda — e que o entenda
Quando o advogado atua de forma genérica, tentando atender “todas as áreas”, ele se torna invisível no meio da concorrência. Nicho não limita — posiciona.
O que realmente impede o crescimento
Direção estratégica é a capacidade de saber para onde você quer ir e ter um método para chegar lá. Parece simples, mas é exatamente o que falta na trajetória de muitos profissionais.
Advogados que crescem de forma consistente tendem a ter em comum:
nicho bem definido
gestão organizada
presença digital estruturada
processos internos padronizados
visão de longo prazo — não só de sobrevivência mensal
Sem isso, o profissional fica preso no que se pode chamar de ciclo da sobrevivência: trabalha muito, ganha pouco, não tem previsibilidade e vive na sensação de insegurança permanente. O esforço existe — o que falta é direção.
A mentalidade também é parte do problema
Existe outro fator que raramente aparece nas análises: as crenças limitantes. Muitos advogados carregam ideias que travam o crescimento mesmo quando as condições de mercado seriam favoráveis.
Crenças como “cobrar bem é incompatível com ética” ou “aparecer nas redes é coisa de showman” impedem que profissionais competentes se posicionem adequadamente.
“Escritórios financeiramente saudáveis têm mais capacidade de entregar atendimento qualificado, estrutura adequada e impacto social real. Crescimento e ética não são opostos — são complementares.”
A mudança de mentalidade não é detalhe. É o que separa quem executa bem de quem também cresce.
O perfil do advogado que vai além
Não se trata de transformar o jurídico em marqueteiro ou de abandonar o rigor técnico. Trata-se de entender que a técnica é a obrigação mínima — e que o diferencial vem de outros lugares.
O advogado que cresce de forma sustentável entende que:
técnica é obrigação — posicionamento é diferencial
relacionamento gera crescimento
direção produz resultados
conhecimento jurídico precisa ser acompanhado de habilidades multidisciplinares
Nesse contexto, ferramentas como mentoria jurídica ganham relevância real — não como modismo, mas como atalho para evitar erros recorrentes, encurtar caminhos e desenvolver uma visão estratégica que a faculdade não ensinou.
Para fechar
Clientes existem. Oportunidades existem. Demanda jurídica existe. O que muitas vezes não existe é a direção estratégica para transformar capacidade técnica em crescimento concreto.
A advocacia do futuro não pertencerá só a quem domina a lei — mas a quem consegue unir técnica, visão, posicionamento e liderança.
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Sobre a autora
Simone Baptista é advogada previdenciarista, mentora de advogados e especialista em Advocacia Exponencial. Atua na intersecção entre Direito, estratégia e desenvolvimento profissional, ajudando advogados a transformarem competência técnica em crescimento sustentável.
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