Por Ramon Henrique
Diva pop é a mulher que apanhou do mundo, da mídia, do ex-marido, da gravadora, e voltou de cabelo platinado e batom vermelho dizendo que é ela por ela.
É a Madonna sendo excomungada e dançando em cima do crucifixo.
É a Beyoncé descobrindo traição e transformando em Lemonade.
É a Lady Gaga de vestido de carne sendo massacrada e ganhando Oscar dez anos depois.
Gay ama diva pop porque a gente cresceu vendo homem ter herói de capa.
Super-homem, Batman, jogador de futebol. Homem pode ser forte, salvo, aplaudido a gente teve que procurar força em outro lugar.
Aí tinha essa mulher no palco, de salto 15, levando tombo do dançarino e levantando no tempo da música como se nada tivesse acontecido.
Diva pop é sobre performance de sobrevivência, é sobre montar uma armadura de glitter pra encarar a segunda-feira.
É sobre dublar tristeza até ela virar hino na balada, a gente aprendeu com elas que exagero é proteção.
E tem mais: diva pop nunca pede desculpa por ocupar espaço, ela chega, liga o ventilador, joga o cabelo e canta sobre ser dona de si.
Pra quem passou a infância pedindo desculpa por existir, por falar fino, por cruzar a perna, isso é evangelho.
É ver alguém gritar o que você só sussurrava no banheiro no fim, gay ama diva pop porque as duas foram expulsas do paraíso pelo mesmo motivo: ousaram desejar demais.
Ousaram ser demais e decidiram que, se não cabem no céu, vão construir uma boate no inferno e lotar todo sábado.
Não é sobre idolatrar, é sobre se lembrar se ela passou por isso e tá ali, então eu também passo. E também fico. Pop.
Texto: Ramon Henrique
Instagram:@ramonhenriquee
Crédito Fotográfico: coletivo de gênero
Fonte: UOL/Terra/revista Veja/ANTRA – Associação Nacional de Travestis e Transexuais.



