Por Carla Perin
@cacaperin
“Talvez os animais não saibam o significado da palavra amor. Mas, todos os dias, eles nos mostram como amar.”
O Dia dos Namorados costuma ser uma data associada aos relacionamentos afetivos. Falamos sobre encontros, companheirismo, paixão e conexão. Mas existe uma pergunta que talvez mereça nossa atenção:
O que os animais podem nos ensinar sobre o amor?
Na Medicina Veterinária Sistêmica, observamos diariamente algo fascinante: os animais não vivem o amor como os humanos. Eles não fazem jogos emocionais, não amam por interesse, não exigem perfeição, não permanecem presos a expectativas, eles simplesmente se relacionam. E talvez seja justamente por isso que tenham tanto a nos ensinar.
O amor que nasce da presença
Grande parte do sofrimento humano nos relacionamentos acontece porque estamos divididos entre o passado e o futuro, carregamos mágoas antigas. Tememos rejeições futuras, criamos expectativas e tentamos controlar o que sentimos e o que o outro sente. Os animais vivem diferente. Eles vivem no presente. Quando um cão se aproxima do tutor, ele não está pensando no que aconteceu há três anos nem preocupado com o que acontecerá amanhã. Ele está presente, inteiramente presente. Talvez essa seja uma das maiores lições que os animais oferecem ao amor humano.
Pertencer sem possuir
Na visão sistêmica, uma das necessidades fundamentais de todo ser vivo é o pertencimento. Todos desejamos fazer parte, ser visto, ser reconhecidos, ser amados. Mas muitas vezes confundimos pertencimento com posse. Queremos controlar quem amamos, queremos moldar o outro às nossas expectativas. Os animais nos mostram outra possibilidade. Eles criam vínculos profundos sem tentar transformar quem está ao seu lado, aceita, acolhem e permanecem.
O amor e os limites
Existe uma crença muito comum de que amar significa fazer tudo pelo outro. Na prática clínica e terapêutica, porém, observamos que muitos sofrimentos surgem justamente quando alguém abandona a si mesmo para manter um vínculo. Na visão sistêmica, amor saudável não é fusão. É encontro. É possível amar e manter a própria identidade. É possível cuidar sem carregar. É possível pertencer sem se perder. Os animais costumam nos lembrar disso. Eles se aproximam, mas também descansam. Buscam companhia. Mas
também respeitam seus próprios ritmos.
Quando o animal se torna professor
Talvez o maior presente que os animais oferecem aos humanos seja a oportunidade de reaprender a amar, não um amor baseado em medo, não um amor baseado em dependência, mas um amor baseado em presença, em autenticidade. Em verdade, ao observar um animal, percebemos que o amor não precisa ser complicado. Ele acontece no encontro, no olhar, na convivência, na confiança.
Neste Dia dos Namorados
Talvez a pergunta mais importante não seja apenas: “Quem eu amo?”Mas:”Como eu amo?”Com controle ou com presença? Com medo ou com confiança? Com cobrança ou com aceitação? Os animais talvez não possam responder essas perguntas com palavras. Mas todos os dias nos oferecem pistas. E talvez por isso ocupem um lugar tão especial em nossas vidas. Porque, muitas vezes, enquanto tentamos ensinar algo a eles, são eles que continuam nos ensinando a ser mais humanos.
“Os animais não conhecem teorias sobre o amor. Ainda assim, todos os dias nos lembram que amar talvez seja apenas estar presente de forma inteira diante de quem escolhemos caminhar ao lado.”
Carla Perin
Médica Veterinária Sistêmica
Terapeuta Multiespécie



