Por Priscila Maria Gabos @psicologadocoracao
Durante muito tempo, mente e corpo foram tratados como sistemas separados. Hoje, a ciência mostra que essa divisão não reflete a realidade. O que sentimos emocionalmente influencia diretamente o funcionamento do nosso organismo — e o coração é um dos órgãos mais sensíveis a essa relação.
Situações de estresse, ansiedade, tristeza prolongada e sobrecarga emocional ativam mecanismos biológicos que foram desenvolvidos para nos proteger em situações de perigo. O problema surge quando esse estado de alerta deixa de ser temporário e se torna uma condição crônica.
Quando estamos constantemente preocupados, tensos ou emocionalmente exaustos, o organismo libera hormônios como cortisol e adrenalina. Em excesso, essas substâncias podem contribuir para aumento da pressão arterial, alterações da frequência cardíaca, inflamação e maior sobrecarga cardiovascular.
Além disso, a saúde mental influencia comportamentos que também impactam o coração. Pessoas sob intenso sofrimento emocional frequentemente apresentam pior qualidade do sono, redução da atividade física, alimentação desregulada e maior dificuldade em aderir a tratamentos médicos.
Por outro lado, o caminho inverso também acontece. Receber um diagnóstico cardíaco, conviver com sintomas físicos ou enfrentar limitações impostas por uma doença cardiovascular pode desencadear ansiedade, medo, insegurança e até quadros depressivos. Cuidar do coração também significa cuidar da forma como cada pessoa vivencia emocionalmente sua condição de saúde.
A boa notícia é que a promoção da saúde cardiovascular vai muito além dos exames e medicamentos. Estratégias de manejo do estresse, psicoterapia, fortalecimento de vínculos sociais, atividade física regular e hábitos que favoreçam a regulação emocional podem beneficiar simultaneamente a mente e o coração.
Cada vez mais, a medicina e a psicologia caminham para uma compreensão integrada do ser humano. Afinal, emoções não ficam apenas na mente. Elas atravessam o corpo, influenciam comportamentos e podem deixar marcas na saúde física. Quando cuidamos da saúde mental, estamos também investindo na saúde cardiovascular.
Cuidar da mente também é uma forma de cuidar do coração.
— Psicóloga do Coração | Psicologia e Cardiologia Integradas.
Sobre a autora
Priscila Gabos é psicóloga e doutora em Ciências pela USP, com atuação nas áreas de Psicologia e Cardiologia. Dedica-se ao estudo da relação entre saúde mental e saúde cardiovascular, desenvolvendo conteúdos, atendimentos e programas voltados para manejo do estresse, promoção do bem-estar e prevenção em saúde. É criadora do projeto Psicóloga do Coração, que integra ciência, cuidado e educação em saúde.



