Por Clariana Grosso
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Basta a Seleção Brasileira entrar em campo para que muitos torcedores sintam algo familiar: o coração acelerado, a respiração curta e a atenção parece se concentrar exclusivamente no que acontece dentro das quatro linhas. Mesmo quem costuma lidar bem com as emoções pode perceber um aumento da ansiedade durante partidas decisivas. Mas por que um jogo de futebol é capaz de provocar reações tão intensas?
A resposta está no fato de que o futebol vai muito além do esporte. Ele mobiliza sentimentos de pertencimento, identidade e esperança. Quando torcemos pelo Brasil, não acompanhamos apenas uma disputa esportiva; muitas vezes, investimos emocionalmente naquele resultado. Desejamos a vitória, imaginamos conquistas e compartilhamos um sonho coletivo com milhões de pessoas. Por isso, cada lance pode ser vivido como uma experiência pessoal.
Sob uma perspectiva psicanalítica, a ansiedade surge quando nos deparamos com a incerteza. Não saber qual será o resultado da partida nos coloca diante de algo que não podemos controlar. E, para muitas pessoas, lidar com a falta de controle é um desafio. Durante o jogo, a expectativa se transforma em tensão, especialmente nos momentos decisivos, como cobranças de pênalti, acréscimos ou disputas eliminatórias.
O problema não é sentir ansiedade. Ela é uma reação natural do organismo diante de situações que consideramos importantes. O que merece atenção é quando essa emoção ultrapassa os limites do prazer de torcer e passa a gerar sofrimento excessivo, irritabilidade ou impacto significativo no bem-estar.
O equilíbrio emocional não significa assistir aos jogos com indiferença. Pelo contrário, significa permitir-se viver a emoção do momento sem que ela domine completamente o estado emocional. É possível vibrar com uma vitória, lamentar uma derrota e, ao mesmo tempo, reconhecer que o valor da própria vida não depende do resultado da partida.
A Copa do Mundo e outros grandes torneios nos lembram de algo importante: as emoções fazem parte da experiência humana. O coração acelerado durante um jogo revela nossa capacidade de nos envolver, sonhar e compartilhar sentimentos coletivos. O desafio está em acolher essas emoções com consciência, transformando a torcida em um espaço de prazer, conexão e equilíbrio, e não de sofrimento.
Ao final, a Copa passa, mas a forma como aprendemos a lidar com nossas emoções permanece. E talvez essa seja uma das maiores vitórias que podemos conquistar fora dos gramados.
Imagem criada com a ajuda da IA
Sou Clariana Grosso, psicóloga clínica com grande experiência em atendimentos de pessoas com crises de ansiedade.
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