Por Simone Baptista
Advocacia Exponencial
Coluna Papo de Som
Acréscimos do segundo tempo. Brasil perdendo por 2 a 0, a Copa escorrendo pelos dedos, uma nação inteira assistindo. E o que faz o maior talento em campo nos seus últimos minutos de Mundial?
Discute com o goleiro.
Antes do pênalti, durante, depois. Neymar converteu a cobrança técnica impecável, diga-se sorriu, provocou de volta, recebeu o troco. E o Brasil foi para casa.
Eu não escrevo esta coluna para julgar o Neymar. Ele se ajoelhou, orou e chorou no gramado na despedida da sua última Copa, e aquela dor merece respeito, não deboche. Escrevo porque aquele lance é um espelho. E espelho, você sabe, nunca mente.
Então me responda com honestidade: quantos jogos a sua advocacia já perdeu porque você aceitou o duelo errado?
A confissão do goleiro
Depois da partida, o goleiro norueguês Nyland entregou o segredo sem cerimônia: “tentei entrar na cabeça dele”. Era estratégia. Provocar, desestabilizar, tirar o adversário do próprio jogo.
Preste atenção nisso, porque é a aula da semana: o adversário competente não disputa apenas a bola. Ele disputa a sua mente.
Na advocacia, o goleiro provocador tem muitos rostos. É o advogado da parte contrária que te diminui na audiência. É o cliente que duvida do seu valor na hora de fechar o contrato. É o colega que solta a ironia no grupo. Quando eles provocam, estão fazendo o trabalho deles.
A pergunta que decide tudo é outra: quem está fazendo o seu?
E aqui vem a parte desconfortável. Nenhum goleiro externo entra numa cabeça que está fechada por dentro. A provocação de fora só funciona porque encontra eco dentro: o “não sou boa o suficiente”, o “cliente não paga”, o “ainda não estou preparada”. Antes de vender para qualquer cliente, você precisa vender para você. A primeira porta que o adversário empurra é a que você mesma deixou destrancada.
O que acontece no cérebro quando alguém entra nele
A neurociência explica o que as câmeras mostraram. Sob provocação, a amígdala nosso alarme de ameaça sequestra o comando e tira o córtex pré-frontal da jogada. O cérebro sai do modo estratégia e entra no modo sobrevivência. E no modo sobrevivência, a gente não luta pelo resultado. A gente luta pelo ego.
Repare no detalhe: Neymar converteu o pênalti. A habilidade técnica estava intacta. O que foi sequestrado foi a leitura do jogo a capacidade de enxergar que aquele duelo verbal não valia um segundo da energia que o time precisava para buscar o empate.
Tradução para a nossa realidade: técnica jurídica não protege ninguém de decisões emocionais. Você pode dominar a tese, conhecer a jurisprudência de cor, escrever a melhor petição da comarca e ainda assim entregar o jogo numa resposta impulsiva no WhatsApp, numa réplica escrita com raiva, numa audiência transformada em disputa pessoal.
A virada de chave que ensino às minhas mentoradas serve exatamente para esse momento: não espere confiança para agir com grandeza. A confiança nasce da ação regulada, escolhida, e não da reação que o adversário encomendou.
Migalhas x Oceano
Agora, a imagem mais poderosa daquela noite.
O gol de pênalti nos acréscimos, com o time eliminado, é a migalha perfeita: dá sensação de vitória sem mudar o placar.
Na advocacia de migalhas, isso acontece todo dia. É vencer a discussão e perder o cliente. É ter razão na audiência e sair sem o acordo. É responder à provocação da parte contrária com uma petição inflamada que alivia o ego e enfraquece a estratégia. Parece gol. O placar continua o mesmo.
A advocacia oceano joga outro jogo. E o exemplo, ironicamente, veio do outro lado do campo. Nyland levou o gol, “perdeu” o duelo verbal o próprio goleiro admitiu que Neymar levou a melhor naquele embate individual e resumiu tudo numa frase de gente que entende de placar: não importa o que ele me disse; importa que nós classificamos.
Ele trocou o aplauso pelo resultado. De que lado você está vivendo?
Quem você decide ser sob pressão
O momento decisivo não revela o que você sabe. Revela quem você é.
A advogada exponencial não é a que nunca é provocada provocação é inevitável para quem cresce e incomoda. É a que já decidiu, antes da provocação chegar, qual jogo está jogando. Por isso identidade vem antes de técnica: quando você sabe quem é e para onde vai, o goleiro pode falar o que quiser; ele fala com a porta fechada.
E lembre: postura muda resultado. Seu corpo fala antes da sua boca e a sua petição, o seu e-mail, a sua resposta no WhatsApp falam antes de você. Cada um deles anuncia se ali está uma profissional jogando pelo placar ou uma pessoa brigando pelo ego.
A porta
No fim, a eliminação do Brasil não aconteceu no pênalti. Aconteceu antes, quando a porta da mente ficou aberta para o adversário entrar e mandar no jogo.
A sua tarefa desta semana é fechar essa porta por dentro — e reservar a sua força para girar a maçaneta das portas certas: as que Deus colocou na sua frente e você continua fingindo que não vê.
Desafio da semana: identifique UM duelo de ego que você vai se recusar a jogar nos próximos sete dias. A provocação vai chegar — do colega, da parte contrária, da voz interna. Quando chegar, respire, sorria e redirecione essa energia para uma ação que mova o seu placar: a proposta enviada, a audiência preparada, o cliente prospectado.
Porque o tamanho da sua advocacia raramente será maior do que o tamanho da visão que você tem sobre si mesmo. Naquele lance, o camisa 10 enxergou apenas o duelo. Quem enxerga o jogo inteiro, joga diferente.
Você não nasceu para viver de migalhas. Decide agora.
EU SOU ADVOGADA DE SUCESSO!
Simone Baptista é advogada Previdenciarista, mentora de advogados e criadora do método Advocacia Exponencial.



