Por Clariana Grosso
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As férias escolares costumam ser aguardadas com entusiasmo pelas crianças. Para muitos adultos, porém, esse período representa um desafio: conciliar trabalho, responsabilidades domésticas, lazer e a presença constante dos filhos em casa. Em meio a tantas demandas, é comum que pais e responsáveis deixem suas próprias necessidades em segundo plano, acreditando que cuidar de si seja um ato de egoísmo. No entanto, a realidade mostra exatamente o contrário.
O equilíbrio emocional de uma família começa pelo equilíbrio emocional de quem cuida. Quando um adulto está exausto, sobrecarregado ou emocionalmente esgotado, torna-se mais difícil exercer a paciência, o diálogo e a sensibilidade necessários para lidar com as necessidades das crianças. Pequenos conflitos podem ganhar grandes proporções, e momentos que poderiam fortalecer os vínculos acabam sendo marcados por irritação e culpa.
Na psicanálise, Donald Winnicott nos lembra que a criança não precisa de pais perfeitos, mas de cuidadores “suficientemente bons”. Isso significa oferecer um ambiente de segurança, afeto e disponibilidade emocional, sem a expectativa de acertar sempre. Essa ideia também nos convida a refletir sobre o cuidado consigo mesmo: um cuidador que reconhece seus próprios limites tende a responder às demandas da criança de forma mais equilibrada e acolhedora.
Cuidar de si pode assumir formas simples: reservar alguns minutos para uma leitura, caminhar, conversar com um amigo, praticar uma atividade física, cultivar um hobby ou simplesmente permitir-se descansar sem culpa. Esses pequenos intervalos ajudam a restaurar a energia física e emocional, tornando mais leve a convivência familiar.
Da mesma forma, é importante compreender que as férias não precisam ser preenchidas por uma programação intensa ou por experiências extraordinárias. Muitas das lembranças afetivas mais significativas surgem justamente da convivência cotidiana: uma refeição preparada em conjunto, uma brincadeira espontânea, uma conversa tranquila ou um passeio simples. A qualidade da presença costuma ser muito mais valiosa do que a quantidade de atividades realizadas.
Ao cuidar da própria saúde emocional, os adultos também ensinam, pelo exemplo, uma importante lição às crianças: a de que reconhecer limites, respeitar as próprias necessidades e buscar equilíbrio fazem parte de uma vida saudável. Esse aprendizado ultrapassa as férias e contribui para o desenvolvimento de relações mais respeitosas, empáticas e seguras.
Talvez o maior presente que pais e filhos possam compartilhar durante esse período não seja uma agenda repleta de compromissos, mas uma convivência em que haja espaço para descanso, afeto, escuta e autenticidade. Afinal, quem cuida de si amplia sua capacidade de cuidar do outro com mais presença, serenidade e amor.
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Sou Clariana, psicóloga, colunista, mãe, esposa, filha e estudante. Sempre buscando oferecer um atendimento acolhedor, atencioso e ético para que você sinta se melhor.



