Por Alexandre Angélico
Matemático e Economista
O El Niño não é apenas um fenômeno climático; é um agente econômico silencioso. Em Aracaju, onde o calor já é rotina, a previsão de temperaturas ainda mais altas até o fim do ano acende um alerta que vai além do desconforto térmico. O aumento da temperatura altera hábitos, pressiona setores e muda o comportamento financeiro das famílias.
O primeiro impacto é energético. Com o calor extremo, espera-se um aumento no uso de ar-condicionado, ventiladores e refrigeradores. Com isso, o consumo de energia dispara. Dessa forma, a conta de luz sobe e o orçamento doméstico precisa se ajustar. Para o comércio, o efeito é duplo: aumento de custos operacionais e mudança no padrão de consumo. Bebidas geladas, alimentos frescos e produtos de refrigeração ganham espaço, enquanto itens menos essenciais podem perder prioridade.
Na agricultura e na pesca, o desafio é técnico e econômico. A irregularidade das chuvas compromete safras e encarece alimentos. O mar mais quente afasta espécies e reduz a produtividade pesqueira. O resultado é uma cadeia de preços pressionada (do produtor ao consumidor) que poderá se refletir nas feiras e supermercados.
Há também o impacto sobre a saúde pública. O calor intenso favorece doenças respiratórias, desidratação e contaminações por água imprópria. Isso exige mais gastos com medicamentos e consultas, podendo haver sobrecarga no sistema de saúde. O fenômeno, portanto, vai além de algo apenas climático: é um vetor de custo social.
No entanto, há oportunidades. O turismo pode se beneficiar do clima quente e das praias mais procuradas, desde que haja infraestrutura adequada. E o setor de serviços, em especial a manutenção de equipamentos, refrigeração e energia solar, tende a crescer.
A preparação deve começar no cotidiano. Planejar o consumo de energia, otimizar o uso da água e adotar hábitos sustentáveis são atitudes que reduzem o impacto financeiro e ambiental.
O El Niño é um lembrete de que a economia também tem temperatura: quando o termômetro sobe, o custo de viver também sobe. E quem se antecipa ao calor, economiza mais do que energia, economiza tranquilidade!
Alexandre Angélico
@alexandreangelico
*Alexandre Angélico é Matemático e Economista formado pela USP e Mestre em Economia dos Mercados pelo Mackenzie.



