Por Dra. Vanessa Nobre
@adv.nobre
11-91012-2233
“Pode apagar. Agora ninguém mais vai descobrir.”
Essa foi a frase dita por uma pessoa logo após excluir mensagens, fotografias e vídeos que acreditava comprometedores.
Ela tinha certeza de que havia eliminado qualquer vestígio.
Dias depois, descobriu que a realidade era bem diferente.
Vivemos em uma era em que praticamente toda comunicação acontece por meios digitais.
Conversamos pelo WhatsApp, Telegram, Instagram, Facebook, e-mail e diversos outros aplicativos.
Também registramos fotografias, vídeos, documentos e localizações no celular.
Por isso, é comum acreditar que basta pressionar o botão “Excluir” para que aquela informação desapareça definitivamente.
Mas nem sempre é assim.
Em muitos casos, uma informação apagada pode continuar existindo em outros lugares.
Ela pode ter sido armazenada em serviços de nuvem, preservada em backups automáticos, encaminhada para outras pessoas, registrada por meio de capturas de tela ou permanecer em equipamentos sincronizados.
Além disso, determinados aplicativos mantêm registros importantes relacionados ao uso da conta, aos horários de acesso e à comunicação realizada.
Outro aspecto pouco conhecido é o trabalho realizado pela perícia digital.
Dependendo das circunstâncias, da forma como os equipamentos foram preservados e das características do caso, especialistas podem identificar vestígios eletrônicos relevantes para esclarecer os fatos.
Nem toda informação apagada poderá ser recuperada.
Isso depende de diversos fatores técnicos, do tempo decorrido, da forma de exclusão, do tipo de equipamento e das condições em que ele foi encontrado.
Entretanto, acreditar que apagar um arquivo significa, obrigatoriamente, eliminar toda a prova pode ser um grande erro.
Também é importante compreender que a prova digital não se resume ao conteúdo de uma mensagem.
Horários de acesso, registros de conexão, fotografias, vídeos, metadados, arquivos armazenados em nuvem, conversas preservadas por terceiros, registros de aplicativos e diversos outros elementos podem contribuir para a reconstrução dos acontecimentos.
Em investigações e processos judiciais, é bastante comum que uma conversa aparentemente apagada seja apenas uma pequena parte de um conjunto muito maior de evidências.
Um print realizado antes da exclusão.
Uma fotografia enviada para outra pessoa.
Um backup automático.
Uma sincronização entre dispositivos.
Ou até mesmo registros preservados por quem recebeu aquela informação.
Por outro lado, também é importante destacar que um simples print nem sempre comprova, sozinho, a autenticidade de uma conversa.
Dependendo da situação, poderá ser necessária uma análise técnica para verificar a integridade do conteúdo, sua origem e o contexto em que foi produzido.
A tecnologia trouxe inúmeras facilidades para o nosso dia a dia.
Mas também tornou cada vez mais sofisticadas as formas de preservação e análise das provas digitais.
Antes de acreditar que um clique resolveu o problema, vale lembrar que o mundo digital costuma guardar rastros.
E, muitas vezes, esses rastros continuam existindo mesmo quando já não aparecem na tela do celular.
No ambiente digital, apagar pode ser apenas o início da investigação — nunca uma garantia de que a verdade também foi apagada.
SOBRE A AUTORA:
VANESSA NOBRE / Advogada Criminalista
@adv.nobre
WhatsApp: (11) 91012-2233
Advogada criminalista, autora e colunista de “A VOZ DA DEFESA”
Dedica-se ao estudo e á aplicação da investigação defensiva, provas digitais, perícia e análise técnica de evidências, área que vêm transformando a advocacia contemporânea.
Sua atuação concentra-se na identificação, validação e contestação de provas, utilizando métodos investigativos e conhecimento técnicos capazes de auxiliar na busca da verdade dos fatos e na construção de estratégias defensivas sólidas.
Defensora da inovação jurídica, acredita que o futuro da advocacia passa necessariamente pela compreensão das novas tecnologias e da prova digital.



