Por Jéssica Monteiro Lima
@psicologa_jessicamonteirolima
WhatsApp: (11) 91169-1479
O fim das férias escolares costuma trazer uma mistura de sentimentos.
Muitas crianças voltam animadas para reencontrar os amigos. Outras precisam de um tempo para se readaptar à rotina. E, para algumas mães, junto com a volta às aulas, surge um sentimento difícil de admitir: o alívio.
Alívio por voltar a ter uma rotina mais organizada.
Por conseguir trabalhar com menos interrupções.
Por reencontrar alguns momentos de silêncio.
Por conseguir tomar um café ainda quente.
Logo depois desse alívio, muitas vezes aparece a culpa. “Será que eu sou uma mãe ruim por estar feliz com a volta às aulas?” A resposta é não.
Na psicologia, entendemos que emoções podem coexistir. É possível amar profundamente os filhos e, ao mesmo tempo, sentir cansaço diante das demandas intensas que as férias representam. Uma emoção não anula a outra.
Na minha prática clínica, costumo observar que a culpa surge quando interpretamos nossos sentimentos como prova de que estamos falhando. Mas sentir alívio não significa desejar estar longe dos filhos, podemos pensar por outra perspectiva, significa reconhecer que a rotina também oferece previsibilidade, organização e espaço para que cada membro da família cuide de suas próprias necessidades.
Convido você a refletir junto comigo: “O que esse sentimento está tentando te mostrar?”
Quem sabe ele esteja apenas lembrando que você também precisa de pausas, de equilíbrio e de tempo para si.
Cuidar de si não diminui o amor pelos filhos. Pelo contrário, fortalece a capacidade de estar presente quando realmente importa. Se, com o retorno da rotina, você sentiu um suspiro de alívio, acolha esse sentimento sem julgamentos.
Você continua sendo mãe e uma pessoa que também tem suas próprias necessidades.
Como psicóloga perinatal, acompanho mulheres em diferentes fases da maternidade e sei que, muitas vezes, o sofrimento não está no que sentimos, mas na forma como julgamos os nossos próprios sentimentos. Acolher as emoções com gentileza também é uma forma de cuidar da saúde mental.
___________________________________________________________________________________
Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



