*Por Dr. Julio Cesar
@nagashimajulio
Quem convive com cães e gatos provavelmente já percebeu aquele famoso “bafo de cachorro”. Muitas vezes, o tutor se acostuma com o cheiro e acredita que faz parte da vida do animal.
Mas será que é normal?
Um mau hálito persistente e forte não deve ser simplesmente considerado normal. Ele pode ser um dos primeiros sinais de que existe algum problema acontecendo na boca do pet. Um dos principais responsáveis é o acúmulo de placa bacteriana, que, com o passar do tempo, pode endurecer e formar o conhecido tártaro.
O que é o tártaro?
Depois que o animal se alimenta, resíduos podem permanecer sobre os dentes. Bactérias presentes naturalmente na boca também participam da formação da placa bacteriana. Quando essa placa não é removida adequadamente, pode sofrer mineralização e se transformar no cálculo dentário, popularmente chamado de tártaro.
E aqui está um detalhe importante: o problema não está apenas naquele dente amarelado que conseguimos enxergar. A placa e as bactérias podem se acumular também na região próxima e abaixo da gengiva, provocando inflamação.
É aí que pode surgir a doença periodontal, uma das alterações mais comuns da cavidade oral dos pets. Fique atento aos sinais, além do mau hálito, existem outros sinais que podem indicar que a boca do seu pet precisa de atenção como: dentes amarelados ou com acúmulo de tártaro; gengiva avermelhada; sangramento oral; salivação excessiva; dificuldade ou desconforto para mastigar; deixar comida cair da boca; mastigar apenas de um lado; perda de dentes e mudança no comportamento durante a alimentação.
Alguns animais continuam comendo normalmente mesmo sentindo desconforto. Por isso, o fato de o pet continuar se alimentando não significa necessariamente que sua boca esteja saudável.
O mau hálito pode ser um pedido de atenção
Imagine que seu cachorro sempre teve um hálito praticamente normal e, com o passar do tempo, o cheiro começou a ficar cada vez mais forte. Em vez de simplesmente pensar:
“É só bafo de cachorro.”
Vale a pena observar a boca. O mau odor persistente pode estar relacionado à doença periodontal, mas também pode ter outras causas. Por isso, uma avaliação veterinária é importante para identificar a origem do problema.
Prevenir é melhor do que esperar o tártaro aparecer
A saúde bucal também faz parte da saúde geral do animal. A higiene oral deve começar antes que exista uma grande quantidade de tártaro. A escovação regular com produtos específicos para pets, a avaliação periódica da boca e o acompanhamento com o médico-veterinário são importantes para prevenir e identificar alterações precocemente.
E atenção: não utilize creme dental humano no seu pet, pois ele não foi desenvolvido para ser ingerido por cães ou gatos. Também não tente remover o tártaro em casa utilizando objetos ou instrumentos. Além de poder machucar a gengiva, uma limpeza superficial pode não resolver o problema que está acontecendo abaixo dela. Quando existe doença periodontal instalada, o médico-veterinário poderá avaliar a necessidade de um tratamento odontológico adequado.
Olhe para a boca do seu pet
Muitas vezes, o tutor observa os olhos, o pelo, as patas e o comportamento do animal, mas esquece de olhar dentro da boca. Por isso, aproveite hoje mesmo para fazer uma observação simples.
Levante delicadamente os lábios do seu pet e observe os dentes e a gengiva.
Existe muito tártaro?
Existe sangramento?
O hálito está muito forte?
Se você consegue sentir o mau hálito do seu pet de longe, talvez esteja na hora de olhar de perto para a boca dele.
Cuidar da saúde bucal não é apenas uma questão de estética.
É uma questão de saúde, conforto e qualidade de vida.
*Julio Cesar é Médico Veterinário, especialista em Estética Animal, palestrante e terapeuta holístico. Atua na promoção da saúde e do bem-estar animal, com foco em medicina preventiva, comportamento e orientação de tutores, levando informação de forma simples e acessível para fortalecer o vínculo entre as famílias e seus pets.



