Por Paula Silveira*
Autor: Fabrizio Martins Tavoni,
Sociólogo e naturista
@fbrn_oficial
Há datas que servem para nos despertar. O Dia Mundial da Limpeza, celebrado em 20 de setembro, é uma delas. Em diferentes partes do mundo, pessoas se reúnem para recolher resíduos de praias, rios, praças, ruas, trilhas e outros espaços comuns. É um gesto visível, coletivo e necessário: ao retirar o lixo de um lugar, reconhecemos que aquele espaço importa; e que sua preservação é responsabilidade de todos.
No Brasil, essa mobilização se articula com o Instituto Limpa Brasil, representante nacional do movimento global Let’s Do It. A iniciativa integra uma rede internacional que reúne comunidades, organizações, escolas, empresas e poder público em torno do enfrentamento à poluição por resíduos. Desde 2024, o Dia Mundial da Limpeza integra oficialmente o calendário de datas das Nações Unidas, reforçando o alcance coletivo e ambiental dessa ação.
Para o naturismo, porém, a limpeza não deveria terminar quando acaba o mutirão. A relação naturista com a natureza não se resume a frequentar uma praia, uma cachoeira, um camping ou qualquer espaço ao ar livre sem roupas. Ela envolve reconhecer que somos parte dos ecossistemas que visitamos, habitamos e dos quais dependemos. O ambiente não é cenário para o nosso lazer: é condição concreta de nossa existência.

Legenda: A natureza não é cenário: é parte de nós.
Essa percepção muda a pergunta. Em vez de pensar apenas “quem deixou esse lixo aqui?”, somos chamados a perguntar: “que modos de vida, de consumo e de descarte permitem que esse lixo chegue até aqui?” Uma embalagem abandonada na areia, uma garrafa lançada num córrego ou um saco plástico preso numa árvore não são apenas sinais de descuido individual. Também revelam uma cultura de consumo rápido, descarte fácil e responsabilidade adiada.
O naturismo propõe, em seu sentido mais profundo, uma aproximação menos artificial e mais respeitosa com a vida. Quando retiramos as barreiras que nos separam simbolicamente da natureza, pode ficar mais difícil ignorar o que fazemos com ela. Sentir o sol, a água, o vento e o chão também pode nos lembrar de que não existe “fora” para onde jogamos nossos resíduos. Tudo retorna: aos rios, ao solo, aos animais, aos alimentos e, finalmente, a nós mesmos.
Por isso, a participação no Dia Mundial da Limpeza é plenamente coerente com os valores naturistas. Recolher resíduos em um espaço público é uma ação concreta de cuidado; é afirmar que praias, parques, matas e rios não pertencem à indiferença. Mas o desafio maior começa no dia seguinte. Cuidar do planeta exige reduzir o uso de descartáveis, recusar excessos, separar corretamente os resíduos, apoiar a reciclagem, valorizar o trabalho de catadoras e catadores e cobrar políticas públicas adequadas para coleta, tratamento e destinação final do lixo.

Legenda: Para o naturismo, cuidar da natureza não é discurso: é prática. Foto: Gildo Mazza
Uma ação de limpeza pode produzir uma transformação importante quando deixa de ser apenas uma resposta ao problema e se torna também um convite à prevenção. Afinal, o melhor resíduo é aquele que não precisou ser recolhido da natureza.

Legenda: Quando o cuidado deixa de ser discurso e vira ação. Foto: Gildo Mazza
O Dia Mundial da Limpeza, com a mobilização do Limpa Brasil, oferece uma oportunidade valiosa de encontro e compromisso. Que o naturismo esteja presente nessa jornada não somente com a disposição para participar dos mutirões, mas também com uma mensagem clara: o cuidado ambiental não é uma atividade ocasional. É uma forma de estar no mundo.

Legenda: Cuidar da natureza é também cuidar de tudo aquilo que nela vive. Foto: Paula Silveira
Em 20 de setembro, podemos limpar um espaço. Nos outros dias do ano, podemos ajudar a impedir que ele volte a ser sujo. Essa é uma das expressões mais nítida do respeito à natureza; e também do respeito por nós mesmos. Participe!
Conheça mais sobre a Federação Brasileira de Naturismo pelo site www.fbrn.org.br.
*Paula Silveira é presidente da FBrN – Federação Brasileira de Naturismo, desde 2021 e presidente da associação SPNAT – Naturistas da Grande São Paulo desde 2020. É naturista desde 1997 e é representa o Brasil na CLANAT – Comissão Latino-Americana de Naturismo, foi Conselheira Maior da Região Sudeste de 2017 a 2020. Representou o Brasil no Congresso Mundial de Naturismo do México em 2024, no ELAN – Encontro Latino-Americano de Naturismo no Peru em 2026, Colômbia em 2022 e no Equador em 2020.



