Por Jéssica Monteiro Lima
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Agosto Dourado é um mês importante para falar sobre amamentação, seus benefícios e a importância de oferecer apoio às mulheres que desejam amamentar, que estão amamentando e que podem não ter conseguido amamentar.
Mas falar sobre amamentação também precisa significar falar sobre a mulher que está amamentando. Existem mães que desejam, conseguem e encontram uma experiência possível e prazerosa. Existem aquelas que desejam, tentam, enfrentam dificuldades e, por diferentes motivos, não conseguem continuar. Existem também mulheres que não conseguem amamentar por questões de saúde, condições adversas ou outras circunstâncias que fogem da sua escolha.
E todas elas merecem acolhimento.
Porque amamentar pode envolver amor, conexão e satisfação, mas também pode envolver dor, cansaço, insegurança, frustração e exaustão. Por isso, quando perguntamos “o bebê mamou?”, também precisamos perguntar: “E você, como está?”
A Organização Mundial da Saúde recomenda que as mulheres tenham acesso a aconselhamento e apoio qualificado durante a gestação e o período pós-parto, inclusive para lidar com desafios relacionados à amamentação. Esse cuidado precisa acontecer de forma respeitosa, sem julgamentos e considerando as necessidades de cada mulher. A saúde mental também precisa fazer parte dessa conversa.
A mãe não deveria precisar escolher entre cuidar do bebê e cuidar de si mesma. Às vezes, o autocuidado começa de uma maneira muito simples: perceber que está com sede e beber água. Sentar para fazer uma refeição com calma. Tomar um banho. Pedir que alguém segure o bebê por alguns minutos. Descansar quando houver oportunidade. Falar sobre aquilo que está sendo difícil.
Não são pequenos detalhes.
São necessidades humanas.
E a rede de apoio também tem um papel importante. Nem sempre a mãe precisa de mais uma orientação sobre como amamentar. Pode ser que ela precise de alguém que prepare uma refeição, organize a casa, ofereça companhia ou simplesmente diga: “Eu estou aqui. Como posso cuidar de você hoje?”
A amamentação merece incentivo e apoio. Mas esse apoio não pode se transformar em cobrança.
Neste Agosto Dourado, espero que possamos ampliar o olhar.
Que possamos apoiar a amamentação sem esquecer a mulher.
Acolher quem conseguiu, quem tentou e quem precisou seguir outro caminho.
Porque cuidar de um bebê também significa cuidar de quem está cuidando dele.
Que nenhuma mãe precise atravessar a amamentação tentando ser forte o tempo todo. Ela também merece colo, escuta, descanso e cuidado.
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Sobre a autora
Jéssica Samanta Monteiro Miranda Lima é Psicóloga Perinatal, com atuação voltada à saúde mental da mulher. Acompanha mulheres em diferentes fases da vida, desde a jornada da fertilidade até os desafios emocionais da gestação, parto, pós-parto, e busca por uma maternidade mais leve oferecendo escuta sensível e embasamento técnico e científico.
Formação acadêmica
Bacharel em Psicologia – Universidade do Grande ABC
MBA em Gestão estratégica do Capital Humano – FMU
Pós-graduação Psicopedagogia – Universidade Metodista
Pós-graduação Aperfeiçoamento em Psicologia Perinatal e da Parentalidade – Instituto MaterOnline



