Por Rony Cysney
@ronycysney
A Laura nasceu em 1927 e começou antes da TV existir por aqui. Com 15 anos já era atriz de rádio, que era o grande veículo da época. Quando a televisão chegou, em 1950, ela migrou naturalmente – estreou em 1952 em Tribunal do Coração, na TV Tupi. Isso fez dela uma das poucas atrizes que viveu todas as fases: radionovela, teleteatro ao vivo, videotape e depois a cor. Ela circulou por Tupi, Excelsior, Record e só chegou na Globo em 1981, em Brilhante, a convite do Daniel Filho, ficando de vez a partir de Pão Pão, Beijo Beijo em 1983. Essa mobilidade era rara, mostrava o quanto era disputada. São mais de 60 novelas, mas dois tipos marcaram: as mães fortes e populares, como a Dona Isaura de Mulheres de Areia e a Dona Guiomar de A Viagem, e as mulheres duras do interior. Trabalhou até os 91 anos em A Dona do Pedaço, em 2019, e ainda protagonizou o curta Dona Rosinha em 2025.

Glória, nascida em 1934, é de uma geração logo depois, mas foi quem ajudou a inventar o formato que a gente conhece hoje. Estreou em novela em 1959, também na Tupi, com Um Lugar ao Sol, mas o divisor de águas foi em 1963 na TV Excelsior: 2-5499 Ocupado, com Tarcísio Meira. Foi a primeira telenovela diária do Brasil, com capítulo todo dia e gancho no final. Ali nasceu o casal Tarcísio e Glória, que virou o símbolo da TV brasileira por décadas. Depois vieram papéis que viraram verbete: Doña Sol em Sangue e Areia, o triplo papel de Lara, Diana e Márcia em Irmãos Coragem, e a inesquecível Laurinha Figueroa em Rainha da Sucata, que lhe deu o Troféu Imprensa de Melhor Atriz em 1992. Ela encerrou em Totalmente Demais, em 2015, aos 81 anos.

Por que elas atravessaram 70 anos? Porque envelheceram em público sem se esconder, trabalhando com diretores de três gerações diferentes. Quando Laura começou, família se reunia em volta do rádio. Quando Glória estourou, TV era móvel de luxo na sala. Elas ensinaram o Brasil a se ver na TV, e por isso a sensação quando se foram foi de perder avós coletivas.
O reconhecimento veio parecido para as duas: Laura com cinco prêmios APCA, o Oscarito em Gramado e a Ordem do Mérito Cultural em 2006; Glória também com Oscarito e o Troféu Mário Lago em 2004 pelo conjunto da obra.
Laura Cardoso faleceu na noite de segunda-feira, dia 17, do jeito que ela pediu a Deus, dormindo e cercada pelo amor da família. Glória Menezes, morreu aos 91, na terça-feira, dia 18, no seu apartamento no Rio de Janeiro, cercada por familiares; a causa da morte foi natural.
Nossos sentimentos às duas famílias e amigos.
Fonte de pesquisa e das fotos: pesquisas livres e redes sociais
Rony Cysney – Formado em Administração de Empresas com MBA em Gestão de Pessoas, Rony Cysney é Professor, Administrador, Comunicador, Apresentador, Editor, Compositor, Poeta e Escritor. Atualmente, é Produtor e editor dos Programas “Conversando Abobrinha”, “Pod ou Não” e “Na Roda Gigante com Rony Cysney”, todos na REDE SDP TV (Streaming). Está compondo músicas e escrevendo poesias. Também está executando o projeto “Conversando Abobrinha”, aprovado em junho deste ano, pela Secretaria de Cultura de Olinda-PE, através da Política Nacional Aldyr Blanc de incentivo à cultura.



