Por Marize Reges
Liberdade de escolha começa dentro de casa.
Estamos vivendo um momento em que as opiniões políticas dividem famílias, amizades e até casamentos. Mas será que duas pessoas que escolheram compartilhar a vida precisam, obrigatoriamente, pensar da mesma maneira?
Eu acredito que não!
Sou de uma geração em que muitas mulheres cresceram ouvindo que deveriam acompanhar as decisões dos maridos. Durante muito tempo, a opinião masculina era considerada a voz da família, inclusive na política.
Mas os tempos mudaram. E ainda bem!
Hoje, nós, mulheres, temos nossa própria voz, nossas convicções e o direito de escolher nossos representantes sem precisar da aprovação de ninguém.
Casamento é uma união de vidas, não de pensamentos.
Uma mulher pode amar profundamente seu marido e, ainda assim, discordar dele politicamente. Da mesma forma, o marido tem todo o direito de fazer suas escolhas.
Afinal, o respeito não deveria depender de um casal votar no mesmo candidato.
Depois dos 60 anos, uma das maiores conquistas que reconheço na maturidade é justamente a liberdade de ser quem somos, de pensar por nós mesmas e de não sentir necessidade de agradar a todos.
E isso também vale para a política.
Não precisamos transformar a mesa do jantar em um campo de batalha, nem permitir que diferenças partidárias sejam maiores do que uma história construída com amor, companheirismo e respeito.
É claro que existem valores fundamentais que precisam ser conversados dentro de uma relação. Mas discordar politicamente não significa necessariamente deixar de amar ou respeitar.
O voto é individual. O casamento é uma parceria. E o respeito precisa ser mútuo.
Uma mulher independente não é aquela que pensa diferente do marido só para provar alguma coisa. É aquela que tem liberdade para concordar ou discordar, sem medo de ser julgada ou diminuída.
E um homem que respeita sua esposa entende que ela não precisa seguir suas escolhas para demonstrar amor.
No fim das contas, a verdadeira cumplicidade não está em pensar igual, mas em saber conviver com as diferenças.
Porque o amor não deveria exigir obediência. Deveria oferecer liberdade.
E deixo uma reflexão: será que estamos realmente preparados para respeitar a liberdade de escolha de quem está ao nosso lado, mesmo quando essa escolha é diferente da nossa?
Marize Reges



