Por Fabiana Ribeiro
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A arte é inerente ao homem, perpassa toda a nossa vivência humana, constituindo nossa infância, adolescência e vida adulta, estando presente desde os primórdios de nossa existência.
Na pré-história a arte rupestre, é entendida como um conjunto de representações simbólicas que foram utilizadas pelos hominídeos, como meio de registrar o cotidiano destes, eram realizadas com pigmentos naturais, aplicados com os dedos ou pincéis de pelos de animais. Entendendo a arte como um meio de expressão social, ela percorre os contextos sociais e a historicidade destes e retrata os pensamentos, ideias e ideais filosóficos e religiosos de cada época, se configurando como uma importante ferramenta de registro.
No contexto histórico social da Arteterapia, ela inicia seu processo de implementação em meados do século XlX. Sendo a arte percebida como uma estratégia extremamente eficaz para promover a cura e a regulação emocional de pacientes, de modo que, os psiquiatras se interessam pelas produções plásticas de seus pacientes, facilitando suas produções, colecionando essas e estudando as. Entre eles Mohr (1906), Simon (1876 e 1888), e depois principalmente, Prinzhorn (1922) (JARREAU, 2001). Paralelamente a isto surgem pedagogos inovadores que encorajam a expressão criadora na criança, trazendo os pressupostos de uma pedagogia ativa. Dentre estes teóricos destaca se Rudolf Steiner, que por volta de 1913, desenvolveu a teoria da Antroposofia, observando o homem para além de sua materialidade, e sim como um ser espiritual, mental e físico, respeitando assim sua individualidade e idealizando a busca por uma medicina humanizada e por uma compreensão holística do mundo. Por volta de 1920 Carl Gustav Jung, inicia a utilização da arte no setting terapêutico da psicoterapia, compreendendo as imagens como símbolos do inconsciente pessoal, criando então a teoria do inconsciente pessoal e do inconsciente coletivo, entre outras, e as utilizando em suas análises clínicas.
Entre 1925 e 1927, na Suíça, Dra. Vergner e Dr, Steiner e na Alemanha, Dr. Hussman, prescrevem a arte como parte do tratamento médico e na década de 1930 nos Estados Unidos, Margareth Naumburg, psicóloga, sistematiza e impulsiona o uso das artes no processo terapêutico, com ênfase em trabalhos corporais.
No Brasil o conceito de Arteterapia começa a se desmistificar em 1923, por Osório César, interno do Hospital Psiquiátrico Juqueri do Rio de Janeiro, que desenvolveu estudos sobre a arte desenvolvida pelos internos e fundou em 1925 a Escola Livre de Artes Plásticas dentro deste Hospital e posteriormente a psiquiatra Nise da Silveira, por volta de 1946 implementa os ateliês terapêuticos e o uso da arte no antigo Hospital Psiquiátrico Pedro ll, no Rio de Janeiro, substituindo métodos agressivos de tratamentos como o eletrochoque e a lobotomia. Em 1952 ela funda o Museu do Inconsciente com as obras dos pacientes.
Em 1960 surgem os primeiros cursos de extensão em Arteterapia no país e em 1982 a primeira pós graduação em Arteterapia. Atualmente a profissão de Arteterapeuta no país é catalogada no Ministério do Trabalho (CBO), sendo considerada uma Prática Integrativa e Complementar no Ministério da Saúde, ganhando espaços de atuação em Centro de Reabilitação e Hospitais e sendo regulamentada pela Lei 15.435/2026, na data de 18 de junho de 2026, fato que se configura em uma conquista histórica para os Arteterapeutas.
O profissional em Arteterapia necessita ser reconhecido pela UBAAT (União Brasileira de Associações de Arteterapia), necessitando ter formações específicas na área da saúde, educação ou artes e a especialização (latu senso) em Arteterapia, atualmente, após o processo de regulamentação haverá a necessidade de realizar curso de Graduação em Arteterapia.
O Arteterapeuta utiliza recursos expressivos como artes visuais, dança, música e teatro para promover a saúde mental, o autoconhecimento, o fortalecimento da identidade e a ressignificação de processos psíquicos conflituosos e dolorosos, construindo novas possibilidades de estar no mundo.
A arteterapia é uma modalidade de Terapia Integrativa extremamente significativa e eficiente no que tange a promoção do bem estar e da compreensão de si mesmo e do mundo. De modo que, na próxima semana iremos elucidar a conceituação do que é a Arteterapia.
Sobre a autora: Fabiana Ribeiro é Pedagoga, Psicopedagoga, Neuroeducadora, graduanda em Terapia Ocupacional, Especialista em Arteterapia, pós graduanda em Psicologia Ativa, Gestão de Pessoas e Saúde no Trabalho, pós graduanda em Artes e Ludicidade e Análise do Comportamento ABA, palestrante e atuante na ONG Colo de Mãe/Cotia e professora de educação Infantil na Prefeitura Municipal de Cotia, proprietária do Espaço Terapêutico Essêntia.
Fonte: “Teoria e técnica da arte-terapia”, JARREAU, Sara Pain Glauts (2001) Ed, Artmed.



