Por Larissa Demarchi Ribeiro
@larissa_demarchi.adv
A Copa acabou para o Brasil, mas deixou algumas reflexões importantes, inclusive para o mundo empresarial.
Durante os jogos, muitas empresas precisaram decidir se liberariam ou não seus colaboradores, se fariam horários especiais, se adotariam compensação de jornada ou se manteriam o expediente normal.
Do ponto de vista trabalhista, é importante lembrar: jogo do Brasil não é feriado. A liberação dos empregados não é uma obrigação legal, mas uma decisão da empresa.
No entanto, mais do que discutir se a empresa deveria ou não liberar os funcionários, a Copa nos traz uma reflexão maior: como as empresas estão conduzindo sua gestão de pessoas?
No futebol, nenhum time vence apenas pelo talento individual dos jogadores. É preciso planejamento, liderança, comunicação clara, regras bem definidas e espírito de equipe.
Dentro das empresas, a lógica é muito parecida.
Equipes precisam saber o que se espera delas. Precisam compreender as regras internas, os objetivos da empresa, os limites da relação de trabalho e a forma correta de agir diante de determinadas situações.
Quando não há comunicação clara, surgem ruídos. E, no ambiente empresarial, esses ruídos podem se transformar em conflitos, queda de produtividade e até processos trabalhistas.
A Copa também mostrou que decisões tomadas em momentos de grande comoção precisam ser bem conduzidas.
Uma empresa poderia liberar os funcionários para assistir aos jogos? Sim.
Poderia manter o expediente normal? Também.
Poderia ajustar horários, estabelecer compensação ou organizar escalas? Sim, desde que observadas as regras trabalhistas aplicáveis.
O ponto principal é que decisões empresariais não devem ser tomadas no improviso ou apenas pela pressão do momento. Elas precisam ser planejadas, comunicadas com antecedência e aplicadas de forma equilibrada.
Esse cuidado evita tratamento desigual, dúvidas internas e possíveis questionamentos futuros.
A gestão de pessoas exige equilíbrio entre flexibilidade e organização.
Empresas que sabem dialogar com seus colaboradores, mas também possuem regras claras, tendem a construir ambientes mais seguros e produtivos.
Afinal, bom senso é importante. Mas, no mundo empresarial, bom senso precisa caminhar junto com procedimento.
A eliminação do Brasil encerrou nossa participação na Copa, mas deixa uma lição que vale para qualquer negócio: talento ajuda, mas organização sustenta resultados.
No futebol e nas empresas, vence quem se prepara melhor.
Mini currículo
Larissa Demarchi Ribeiro é advogada, inscrita na OAB/SP nº 296.477, especialista em Direito do Trabalho Empresarial, com atuação consultiva, preventiva e contenciosa. Auxilia empresas na gestão de riscos jurídicos, implementação de práticas preventivas e fortalecimento da segurança jurídica nas relações de trabalho.



